Fico impressionado com a quantidade de gente que se mata para conseguir um ingresso nesses shows da Madonna no Brasil. Alguns acamparam na frente da bilheteria duas semanas antes do início das vendas. Outros vão em todos os 5 shows que ela fará no Brasil, a 250 reais o ingresso mais barato. Com carteirinha de estudante. Como os fãs arranjam esse dinheiro permanece um mistério para mim. E como conseguem tempo para conciliar trabalho, estudo e o show da loira é uma questão de física que o Albert não saberia responder.
O “fã” é um ente despersonalizado, que não faz nada além de ser um fã. Prova disso é quando eles dão entrevista na TV o que aparece na legenda é o nome do provável desempregado e embaixo, no campo destinado a profissão, aparece “fã”. João Osvaldo Oliveira, Fã. É isso. Uma vida resumida em uma sílaba, e, estranhamente, nesse caso não se perdeu nada com a redução. O fã é extremamente chato e persistente, fazendo qualquer negócio para conseguir seu intento, como um híbrido que une a entrega da Mari Alexandre à persistência do Ernest Shackleton. Uma das minhas diversões, ao travar conhecimento com um fã de alguma coisa, é falar “poxa, você é fã disso… eu acho isso ridículo”. Pronto, acabou qualquer chance de diálogo civilizado. O fã entra numa torrente interminável de palavras, e sempre tem frases e adjetivos prontos, que não significam nada. Discutir com essas pessoas é uma causa perdida. “Como você tem coragem de dizer isso, eles são demais“. Nisso eu concordo. Eles sempre são demais para mim.
O Emplastro é um órgão demasiadamente sério, portanto, abolimos o uso do vocábulo “fã”, substituindo-o por outros que consideramos sinônimos. Enfim, tenho certeza que esse dinheiro gasto para ver a Madonna é um bom investimento. Afinal, tanta gente não poderia estar errada, não é mesmo?

FãsDesocupados vendo as cortinas do quarto de Madonna no Copacabana Palace em dia de semana
A quantidade de gente crescidinha nessa foto acima mostra que a idiotice, ao contrário do que possa parecer à primeira vista, não é privilégio da juventude. Também é válida a suposição de que o desemprego está alto no Rio de Janeiro.
Em contraste, o deputado Edinho Bez discursa para um plenário vazio. Estariam todos no show da Madonna? Acho que temos um problema de prioridades, pessoal.

“… e assim entra em vigor a MP que me torna ditador vitalício, a não ser que alguém do plenário se manifeste em contrário HUAHUAHUA!”
Depois de um dos shows da Madonna, os fãs o pessoal trabalhador que assistiu disse que “apesar do playback, o show é muito bom“. Peraí. Os fãsinúteis se matam pra assistir um show em playback? Ora, se a música já está gravada e toca sozinha, então eles foram no show somente para ver ela pular de um lado pro outro no palco enquanto um cd player toca as músicas? Se o show não tem música ao vivo, então o que sobra é ela, é a imagem dela, certo? O Emplastro Cubas cumprirá seu papel informativo destruindo esse mito da Madonna linda, poderosa. Não repetiremos esse leitmotif tão apreciado em outros canais de comunicação.
Pior de tudo é quando falam que ela representa o poder das mulheres. É o pior argumento que ouvi nos últimos 23 anos. Pelo contrário, ela representa boa parte das coisas que estão erradas no mundo. Falar isso é jogar no lixo todas as conquistas feitas pelas verdadeiras mulheres. Ela é um retrocesso em forma de marionete. E das feias. Recomendo aos fracos que não vejam as fotos que descobrimos após árdua investigação num arquivo secreto, em um porão úmido da Transilvânia:
Ao contrário do que dizem por aí, dinheiro nem sempre compra tratamento ortodôntico

Like a virgin!

Alô criançada, o Bozo chegou!

Lourdes Maria, a filha de Madonna, descartando a necessidade de exame de DNA com a sobrancelha.
O Emplastro Cubas deseja um ótimo Helloween para todos que vão assistir a Madonna e o Cd Player darem esse show. A série “Desconstruindo celebridades” voltará em breve. Permaneçam ligados.

Fui avisado agora pela redação que o show não é de Helloween. Desculpem o engano, não sei o que teria me feito supor isso.