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“Nude” tocada por hardware

Que a música “Nude” do Radiohead é inacreditavelmente boa é fácil perceber:

A banda lançou um concurso para ver qual fã bolava o melhor clipe para a música, e o vídeo a seguir ganhou a menção honrosa da competição. A música é tocada por placas de som de HDs, scanners, impressoras, etc. Incrível:

Sopa pra dois e a força da música

Videoclipe da música “Sopa pra dois”, dos Antigos Incas, indiscutivelmente a melhor banda do Brasil. O objetivo do clipe é retratar a força que uma música tem na compreensão de um video. Retire a música de um vídeo e sua interpretação será totalmente distinta.

O protagonista em questão, que, segundo me contaram agora, foi ditador da Alemanha, é sempre retratado com músicas sombrias e dramáticas de fundo. Não discutiremos a que tipo de manipulação política isso atende.

Aqui, os Incas colocaram uma música mais leve, e o resultado é surpreendente. Com música é possível dar sentido a qualquer vídeo – daí o uso extensivo de música em novelas e porcarias hollywoodianas, ao contrário do cinema francês ou alemão, que dosam melhor a música – já o cinema iraniano prefere usar sons da natureza para obter efeito dramático. O resultado obtido é rocambolesco: os caras que aparecem no vídeo – Himmler inclusive – parecem velhos amigos do telespectador. O efeito da música é tão forte que consegue até criar em nós empatia por sujeitos como ele.

Peter Bjorn and John

Paris 2004

A primeira vez que ouvi o trio sueco Peter, Bjorn and John foi ano passado. Desde então não consigo mais parar de ouvir essa banda, que é uma das mais subestimadas do rock. O album “Writer´s block” é tão bom que parece uma coletânea greatest hits. Deixo eles fazerem sua defesa.

Objects of my affection


Living Thing, por Peter Bjorn and John

Living Thing é o novo album de Peter, Bjorn and John, que deve sair em alguns dias. No youtube tem dois clipes de músicas do album novo, e pelo jeito esse soa mais low profile que o clássico Writer´s Block, um dos melhores discos alternativos da história. Também fiquei sob a impressão que o orçamento para esse disco foi perto de zero, mas espero que ela se desfaça no decorrer das audições.

Nothing to worry about, que vou ter que ouvir mais pra entender:

Lay it down:

Blur – Yuko and Hiro

Mogwai

A Mogwai é uma das minhas bandas preferidas. Escocesa de Glasgow, ela toca um post-rock com linhas de baixo marcadas, e frequentemente experimenta em suas músicas. O que me deixa particularmente abismado é o fato de que mesmo que a maioria das músicas da banda sejam instrumentais, elas conseguem passar a mensagem desejada, de modo igual ou até melhor do que se tivessem letras. É algo realmente inefável, e a mim, não sendo Machado de Assis ou Thomas Mann, falta-me a habilidade semântica necessária para descrevê-las. Selecionei três músicas dos escoceses que são especialmente boas:

Helicon 1

Música instrumental, com uma linha de baixo melódica. Existe uma inversão dos papéis clássicos dos instrumentos. Aqui, o baixo faz a melodia, ou o solo, e a guitarra faz a base. No primeiro momento, a guitarra segura o Fá sustenido, enquanto o baixo dança atrás dela (até 2min e 10 segundos).

A partir desse ponto, a guitarra começa a descer do Fá sustenido, passando pelo Mi até o Ré, e a música ganha momentum. Isso produz uma sensação bem forte, de transitoriedade, passagem do tempo, esvaziamento da vida, talvez. A guitarra, se o leitor me permite uma metáfora do campo do desenho, parece em sfumato. Ao não colocar letras, o Mogwai deixa a música falar por ela mesma, e cada pessoa tem uma sensação única. A música continua num crescendo até o ápice arrebatador, descrito por este colunista como um moedor de carne turbo. De arrepiar.

Acid Food

Essa música é sobre a perda de amigos. O rapaz que fez este video aproveitou a música para fazer um filme caseiro – as músicas do Mogwai são frequentemente usadas como trilhas sonoras. Experimente ver este video sem som. Perde-se totalmente o sentido, as imagens não são suficientes para transmitir sensações, sentimentos. Daí a singularidade do Mogwai, que faz uma trilha sonora competente em qualquer vídeo.

Take me somewhere nice

Essa música é simplesmente maravilhosa. Um clássico saído das highlands. Assistir esse vídeo, mesmo no verão, chega a dar frio.

What was that for?

What was that for?

O show de Madonna!

Fico impressionado com a quantidade de gente que se mata para conseguir um ingresso nesses shows da Madonna no Brasil. Alguns acamparam na frente da bilheteria duas semanas antes do início das vendas. Outros vão em todos os 5 shows que ela fará no Brasil, a 250 reais o ingresso mais barato. Com carteirinha de estudante. Como os fãs arranjam esse dinheiro permanece um mistério para mim. E como conseguem tempo para conciliar trabalho, estudo e o show da loira é uma questão de física que o Albert não saberia responder.

O “fã” é um ente despersonalizado, que não faz nada além de ser um fã. Prova disso é quando eles dão entrevista na TV o que aparece na legenda é o nome do provável desempregado e embaixo, no campo destinado a profissão, aparece “fã”. João Osvaldo Oliveira, Fã. É isso. Uma vida resumida em uma sílaba, e, estranhamente, nesse caso não se perdeu nada com a redução. O fã é extremamente chato e persistente, fazendo qualquer negócio para conseguir seu intento, como um híbrido que une a entrega da Mari Alexandre à persistência do Ernest Shackleton. Uma das minhas diversões, ao travar conhecimento com um fã de alguma coisa, é falar “poxa, você é fã disso… eu acho isso ridículo”. Pronto, acabou qualquer chance de diálogo civilizado. O fã entra numa torrente interminável de palavras, e sempre tem frases  e adjetivos prontos, que não significam nada. Discutir com essas pessoas é uma causa perdida. “Como você tem coragem de dizer isso, eles são demais“. Nisso eu concordo. Eles sempre são demais para mim.

O Emplastro é um órgão demasiadamente sério, portanto, abolimos o uso do vocábulo “fã”, substituindo-o por outros que consideramos sinônimos. Enfim, tenho certeza que esse dinheiro gasto para ver a Madonna é um bom investimento. Afinal, tanta gente não poderia estar errada, não é mesmo?

palace

FãsDesocupados vendo as cortinas do quarto de Madonna no Copacabana Palace em dia de semana

A quantidade de gente crescidinha nessa foto acima mostra que a idiotice, ao contrário do que possa parecer à primeira vista, não é privilégio da juventude. Também é válida a suposição de que o desemprego está alto no Rio de Janeiro.

Em contraste, o deputado Edinho Bez discursa para um plenário vazio. Estariam todos no show da Madonna? Acho que temos um problema de prioridades, pessoal.

bez

“… e assim entra em vigor a MP que me torna ditador vitalício, a não ser que alguém do plenário se manifeste em contrário HUAHUAHUA!”

Depois de um dos shows da Madonna, os fãs o pessoal trabalhador que assistiu disse que “apesar do playback, o show é muito bom“. Peraí. Os fãsinúteis se matam pra assistir um show em playback? Ora, se a música já está gravada e toca sozinha, então eles foram no show somente para ver ela pular de um lado pro outro no palco enquanto um cd player toca as músicas? Se o show não tem música ao vivo, então o que sobra é ela, é a imagem dela, certo? O Emplastro Cubas cumprirá seu papel informativo destruindo esse mito da Madonna linda, poderosa. Não repetiremos esse leitmotif tão apreciado em outros canais de comunicação.

Pior de tudo é quando falam que ela representa o poder das mulheres. É o pior argumento que ouvi nos últimos 23 anos. Pelo contrário, ela representa boa parte das coisas que estão erradas no mundo. Falar isso é jogar no lixo todas as conquistas feitas pelas verdadeiras mulheres. Ela é um retrocesso em forma de marionete. E das feias. Recomendo aos fracos que não vejam as fotos que descobrimos após árdua investigação num arquivo secreto, em um porão úmido da Transilvânia:

madonna_teethAo contrário do que dizem por aí, dinheiro nem sempre compra tratamento ortodôntico


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Like a virgin!


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Alô criançada, o Bozo chegou!


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Lourdes Maria, a filha de Madonna, descartando a necessidade de exame de DNA com a sobrancelha.

O Emplastro Cubas deseja um ótimo Helloween para todos que vão assistir a Madonna e o Cd Player darem esse show. A série “Desconstruindo celebridades” voltará em breve. Permaneçam ligados.


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Fui avisado agora pela redação que o show não é de Helloween. Desculpem o engano, não sei o que teria me feito supor isso.

Por que eu não vou no Radiohead no Brasil

O Radiohead, uma das minhas bandas preferidas, tocará no Brasil pela primeira vez em Março de 2009. No entanto, os ingleses vão se juntar ao crescente rol de shows internacionais no Brasil que não fui, como Teenage Fanclub, Mogwai e Peter Bjorn and John. Os motivos para perder um show once in a lifetime são vários.

-O preço dos ingressos é altíssimo: 200 reais – ou seja, com carteira de estudante, fica por apenas 100 reais. Isso, argumentam os produtores do show businness, é por conta da lei que garante meia entrada aos estudantes, que fez com que os produtores, para compensar o dinheiro deixado de ganhar, aumentassem o valor da entrada cheia. Mais um caso de lei no Brasil que adquire sentido inverso ao pretendido. Além disso, eu ainda teria que gastar com locomoção até São Paulo ou Rio de Janeiro, mais gastos eventuais nessas cidades, de modo que um show de duas horas de duração me custaria, no mínimo, 500 reais. Eu não paguei nada pelo In Rainbows, ofereci zero libras por ele. Não seria pra ver o Thom Yorke que eu pagaria 100 reais.

-O local do show é uma área ampla, aberta, onde ocorrem festivais de grande porte. Notadamente, esses locais são os que não tem nenhum tratamento acústico, pela natureza do local. Ir num show de música para ouvir música de qualidade ruim, demasiadamente dispersa, é um contra-senso, até porque o Radiohead não é uma banda de performance de palco. No Tim Festival de 2007, na pedreira Paulo Leminski, a qualidade do som do Arctic Monkeys só foi encontrada após as primeiras músicas, isso que é uma banda com um som simples, de poucas camadas. Imagino que seja muito mais difícil acertar propriamente o som bastante layered e eletrônico do Radiohead. Pela mesma lógica, se o som ao vivo do Arctic Monkeys, quando comparado ao de estúdio, é bem mais pálido e com menos energia, o Radiohead sofrerá o mesmo fenômeno, só que de intensidde bem maior.

-As longas turnês criam uma rotina estafante para os músicos, que tocam 25 noites por mês, em média. Isso arruina qualquer espontaneidade, tornando-os meros executores sem vida. Algo parecido com marionetes. Pergunte ao Alex Turner, ele vai te explicar isso.

-30 mil ingressos foram colocados à venda dão mais 30 mil motivos para eu não ir ao show. Com esse número de pessoas, conseguir um cachorro quente ou ir ao banheiro é uma missão complicada. Achar um lugar bom para assistir não é mais fácil, e ficamos à mercê da multidão sebosa e cheirosa.

Acho que isso elimina minhas chances de ir lá.

Derrubando ídolos – Led Zeppelin

O Oasis, retratado outro dia, é coisa pouca comparado aos grandes copiadores, Robert Plant e Jimmy Page.

Vanilla Sky

Cenas de Vanilla Sky, com trilha sonora do Sigur Ros. O nome da música é “Njosnavelin”, e é cantada em uma língua inventada pela própria banda.