Primeira parte do excelente documentário irlandês que mostra uma versão da história de Hugo Chávez antagônica a que nos é contada diariamente pela imprensa brasileira. Vale a pena para reflexão.
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Primeira parte do excelente documentário irlandês que mostra uma versão da história de Hugo Chávez antagônica a que nos é contada diariamente pela imprensa brasileira. Vale a pena para reflexão.
O surgimento meteórico de Barack Obama para o mundo levantou questões acerca de sua identidade civil. Sendo candidato a presidente, sua vida tornou-se objeto de escrutínio público, visível através de lentes de microscópio. Entretanto, existem ainda alguns seguimentos da sociedade estadunidense que não se convenceram de que Obama é norte-americano, ou mesmo que ele não é muçulmando, fator importantíssimo socialmente naquele país. O fato do atual presidente Obama não ter apresentado uma certidão de nascimento – e somente uma “certidão de nascimento vivo” -, documento bastante distinto, bem como as ações do presidente no sentido de obnubilar a visão do público de sua vida pregressa e privada, reforçam as teorias conspiratórias que pairam sobre Washington. Houve inclusive um major das forças armadas americanas que se recusou a cumprir ordens, sobre a base legal que ele não é obrigado a servir cidadãos estrangeiros, ação acatada e ganha na suprema corte daquele país, informação amplamente sonegada pela mídia.

René Magritte – Le Fils de l’homme
Mesmo o poderoso Emplastro Cubas que normalmente não é órgão afeito a conspirações de qualquer sorte sentiu-se um pouco seduzido por algumas destas teorias imaginativas. Interessantíssimas nos soam todas as reportagens sobre o governo norte-americano: Obama matando uma mosca, Obama falando um palavrão, Obama chamando um cantor de “jackass”, Obama olhando para a bunda de uma brasileira, Obama passeando com o cachorro, Obama levando os filhos para escola, Obama falando que Lula é “o cara”. O monopólio absoluto de reportagens desnecessárias, que conseguem gastar minutos sem trazer nenhuma informação relevante, juntamente com a recusa não dita em mostrar quaisquer atos políticos do presidente fazem com que o Emplastro desconfie seriamente de uma conspiração global, afinal, nunca se viu uma mídia internacional tão cooptada. É realmente algo sem precedentes – nada se sabe sobre o governo. Quem assiste o noticiário tem a impressão que a vida de Obama é regada por amenidades e que este não toma nenhum ato político enquanto ocupante do cargo que ele porta. Ao mesmo tempo em que se dá ampla cobertura à mosca morta, nada se sabe sobre políticas de educação, saúde, defesa, ambientalismo, etc. Nunca se soube tão pouco sobre uma administração presidencial. Os atos do governo Obama não estão sob uma cortina de fumaça – estão sob uma porta de ferro.
Rapaz, aconteceu a coisa mais estranha agora pouco. Enquanto caminhava pela calçada levando o lixo do dia, deparei-me com uma edição da revista Veja no chão. Como sou curioso, não pude deixar de folhear tal achado. Assim que a abri, saiu dela um vento fortíssimo e o uivar de mil lobos enfurecidos. Fechei a revista o mais rápido que pude, e, despenteado pelo vento, olhei para os lados, para ter certeza se alguém tinha visto aquilo, mas não foi o caso. Como sou curioso e burro, abri de novo a revista. Dessa vez, veio um pouco de sangue na minha cara, e o que eu vi não pode ser descrito como outra coisa que não as próprias mandíbulas do inferno. Voltei a fechar a revista, apavorado. Corri em direção ao lixo, joguei meu lixo fora e coloquei a revista no reciclável. O lixeiro que passava me olhou com cara de nojo, e me repreendeu:
“Isso aí não é reciclável!”, ele reclamou.
“Mas é de papel, e papel é reciclável.”, retruquei, certo da vitória fácil da minha retórica infalível.
“Então, Einstein”, respondeu o lixeiro, “se as pilhas devem ser colocadas junto de pilhas, e as baterias de celulares junto a baterias de celulares para evitar a contaminação do ar e dos lençóis freáticos, então esse lixo (é desalentador ouvir um lixeiro se referir a lixo pejorativamente) que você carrega, para não contaminar todo o papel reciclável que catei hoje, tem que ser colocado num local onde ele encontre seus iguais. Você deve colocar o lixo em um lugar tão bom quanto, onde ele estará adequado pela homogeneidade! Se você quiser posso desenhar para você.”
Surpreendido pelo exercício de lógica excelente do lixeiro, dei-me por vencido. Não é todo dia que se encontram filósofos catando lixo, e ele podia ser igualmente bom no caratê. De qualquer forma, segui seu conselho e enviei a revista-lixo ao único lugar onde ficaria entre seus iguais: remeti-a à Editora Janeiro, Fevereiro, Março …
Querido Vânio,
Há muito tempo sou seu fã. O senhor presta grandes serviços à comunidade, e não é só um rostinho bonito na TV. Pelo contrário.
A propósito, parabéns, já que com a queda da obrigatoriedade do diploma para o jornalismo, o senhor, como eu, tornou-se jornalista do dia para a noite, por decreto. Também o parabenizo pelo fato de um senhor da sua idade ainda conseguir lançar perdigotos que fustigam as lentes das câmeras a uma distância que estimo em cerca de 3 metros! Assistir TV em minha casa tornou-se uma experiência equivalente a estar no leme de um barquinho em alto-mar cujo convés é varrido por ondas gigantes no meio de uma tempestade. Que performance!
De qualquer forma, sendo agora legalmente um colega da imprensa, e trabalhando num órgão mais respeitado que o seu, sinto-me confortável para lhe aconselhar em alguns aspectos que, creio, você possa melhorar.
Não acho bacana o senhor imitar o Luiz Carlos Prates. O senhor não tem retórica nem envergadura intelectual para tanto. Cá entre nós, sabemos que seu repertoire temático não é dos mais amplos: vai de reclamar de políticos até reclamar de políticos. Também o desaconselho a ficar batendo a mão na mesa, como faz o Prates. Sua saúde é frágil, mas a da mesa não, e eu odiaria ver você se desmanchando ao vivo na televisão. As clínicas de fisioterapia estão lotadas de bufões batedores de mesa. Sua voz pigarreante não assusta nem as crianças pequenas, e ver você bravo é um espetáculo mais engraçado do que intimidador. É como novela do SBT: mesmo que a intenção seja fazer o telespectador temer, só consegue fazê-lo rir. Por isso, colega, seja você mesmo. Concentre-se em melhorar sua dicção e diminuir o engolimento de palavras inteiras.
Desaconselho ainda o senhor ficar tão irritado quando vocifera contra políticos, babando, desde que eles estejam fora do estúdio. O senhor, nessas horas, fica bravo como um leão. Entretanto, quando um cicerone do calibre de Luiz Henrique da Silveira o visita, o senhor se transforma num franguinho amedrontado, e limita-se a cacarejar qualquer coisa, assustado. Essas mudanças bruscas de humor devem ser evitadas, pois expõem à audiência de quem você é a putinha.
Para finalizar, deixo um conselho que um grande amigo costumava dar: estudar nunca matou ninguém.
Um grande abraço de um colega promovido a jornalista pelo STF,
Carlos Massaranduba
Publicado em Celebridades, Imprensa, Política, Televisão
Com a tag Imprensa Marrom
O significado da palavra holocausto até 1960 era este:
Holocausto – do Lat. holocaustu <>holókauston < kolós, vítima inteira + káío, queimo s. m., -sacrifício expiatório e de ação de graças, praticado pelos antigos Hebreus, por cremação total de um animal; -a vítima do sacrifício; -sacrifício em geral; -abdicação da vontade própria para satisfazer a de outrem; -grande chacina ou destruição da vida; -a causa de tal desastre;
Ou seja, ainda não existia o significado do holocausto judeu como conhecemos hoje. Nas edições dos dicionários posteriores à década de 1960 é possível notar que um significado foi adicionado:
-o assassínio em massa dos Judeus pelos nazis durante a Segunda Guerra Mundial (nesta acepção, grafa-se com inicial maiúscula).
É natural que ao longo dos anos as palavras ganhem novos significados, pois a língua muda diariamente através do uso. Entretanto, desde a década de 1960 a mídia, com sucesso, vem forçando um processo artificial de modificação do significado desta palavra. Isso foi conseguido facilmente pela obliteração total da semântica antiga da palavra na imprensa, que não a usa mais para designar nada que não seja o holocausto judeu, de modo que as pessoas nascidas após 1960 só conheceram o significado novo dela, como se fosse uno. Hoje temos ainda que modificar a grafia: a invenção petulante de forçar a escrita desta palavra com H maiúsculo é um modo de tornar substantivo em evento histórico, de manter em nós um sentimento de culpa por algo que não tivemos nada a ver, de se fazer de vítima, de maximização de sofrimento. Seria receber reparações morais e de guerra o motivo oculto?
Espero que as gerações futuras consigam entender quando lerem o Fernando Pessoa escrever que entregará sua vida num holocausto de si mesmo.
A distinção de “analfabetismo” e “analfabetismo funcional” é uma criação ridícula que visa apenas dar a falsa idéia de que o processo de alfabetização está sendo efetivado com sucesso no Brasil. Veja bem: o conceito de “analfabeto” implica que a pessoa não sabe ler nem escrever nada, enquanto o de “analfabeto funcional” define quem lê e escreve mas não entende. Ora, se ambos tipos de analfabetos não entendem o que lêem e o que escrevem, não serve de nada que os analfabetos funcionais leiam e escrevam, de modo que “analfabeto” ou “analfabeto funcional” são a mesma coisa. Não existem tipos diferentes de analfabeto, como o governo quer que a gente pense. É um despautério tentar empurrar isso na goela dos brasileiros. Na prática, significa que esses “analfabetos funcionais” só aprenderam a assinar o nome, habilidade que eles vão usar em notas promissórias, notificações judiciais e carnês de lojas.

No Brasil, 11,4% da população é analfabeta, segundo estatística oficial, o que é muito bonito, afinal, dá a idéia que 88,6% da população é alfabetizada. Contudo, 70% da população é formada por analfabetos funcionais.
Para que você tenha uma compreensão melhor do que é esse Grand Canyon educacional, proponho que começemos a divulgar esta estatística, mas por inversão. Se 70% são analfabetos, então apenas 30% são alfabetizados. Vamos colocar essa informação nas estatísticas oficiais, e isso deveria urgir os gestores a fazerem algo importante pela educação.
Uma solução mais brasileira (e particularmente bem machadiana) seria essa, que eu consigo imaginar nitidamente num discurso de político maranhense: “Senhores, a regra é composta pela maioria, e a exceção pela minoria, de modo que se os analfabetos são a regra, os alfabetizados são a exceção; logo, os coitados que precisam de auxílio são os alfabetizados; a doença deles é o Alfabetismo. Precisamos fazer de tudo para torná-los analfabetos e trazê-los para a normalidade“.
Publicado em Comportamento, Cultura, Imprensa, Política, Televisão
Com a tag Absurdo, Constatações, Imprensa Marrom, Triste
Quando uma epidemia insignificante como a gripe suína, ou gripe A (para não falar Americana), toma conta de modo generalizado dos espaços nos meios de comunicação, fico absolutamente tranquilo: pode ter certeza que não tem nenhuma desgraça acontecendo no mundo e que nunca tudo esteve tão bem.
Os dados comprovam minha tese: 2.400 contaminados e 44 mortos – 42 no México e 2 nos Estados Unidos. Nenhuma morte por gripe suína no Brasil, para infelicidade da imprensa. Afinal, é uma doença tão avassaladora que mata 1,8% dos contaminados. Entediante. Quase não consigo bocejar olhando esses números… quase. Daí a afirmação que entitula este post: a gripe suína é a nova dengue, SARS, ebola, etc., como já publicado genialmente no Emplastro em post anterior.

Grande jornalista catarinense retratado em tamanho real de competência
Agora que a desgraça da crise financeira perde momentum, era necessário uma nova catástrofe. Afinal, sempre que pensamos estar tudo bem… cuidado, o apocalipse está na esquina. É um mundo perigoso, quando se deixa a TV ligada.
Publicado em Comportamento, Imprensa, Inutilidades
Com a tag Falsidade, Imprensa Marrom
Barack Obama surgiu como o salvador da política norte-americana, ou pelo menos assim é tratado pela imprensa, que necessita de tempos em tempos de um superman. Olhando de hoje para trás, os nossos salvadores são Ronaldo, antes dele Obama, antes ainda Lula, FHC, etc. Lembro-me como se fosse ontem quando, eu então com 9 anos, Romário veio de Barcelona para salvar o Brasil. Prefiro não pensar nas consequências que teriam tomado lugar caso o baixinho não tivesse vindo.
O Emplastro, sendo o órgão sério que é, nunca se deixou levar pela onda Obama, preferindo permanecer como observador silencioso. Contudo, não passou despercebido a este estandarte do equilíbrio midiático que o sr. Obama, tendo assumido o governo há menos de 3 meses, se apressou a contradizer seus argumentos de campanha presidencial, pois, é sabido, para alguns a coerência é um fardo pesado a se carregar por mais de alguns dias.
O Emplastro revelará alguns pontos que prenunciam a queda de popularidade do sr. Obama. Antes, gostaria de chamar a atenção do leitor ao vanguardismo desse veículo. Quão a frente de nosso tempo o Emplastro está! Permanece um mistério para nós a cegueira do restante dos órgãos de mídia. Como disse Newton, If I have seen further than others, it was because I was standing on the shoulders of giants. Quem diria que algo velho como o Emplastro pudesse ser póstumo!
1 – Sabemos que o presidente atual dos estadunidenses não é melhor que o antecessor. Pelo contrário, Obama é George W. Bush escondido sob uma máscara. Tanto é verdade que, depois que Obama assumiu, nunca mais ninguém viu o Bush. Obama e Bush são a mesma pessoa.

2 – Um dos pontos principais da campanha de Obama era a defesa e criação de milhões dos chamados “empregos verdes”, bem como o desenvolvimento da energia sustentável e combustíveis alternativos. Também prometeu reduzir em 80% as emissões dos gases responsáveis pelo efeito estufa. Entretanto, nossos colegas da Folha de S. Paulo, segundo melhor órgão de mídia do país, noticiaram o seguinte fato:
“O governo Barack Obama concederá mais ajuda financeira a General Motors e Chrysler em troca de novas concessões, noticiou hoje em seu site o jornal americano “The New York Times”. As duas montadoras receberam US$ 17,4 bilhões em ajuda pública desde dezembro de 2008 e já solicitaram outros US$ 21,6 bilhões extras para manter suas operações.”
3 – Obama prometeu retirar os soldados estadunidenses do Iraque. E mandá-los para o Afeganistão. A prova definitiva de que Bush e Obama são a mesma pessoa é que ambos tem as mesmas idéias-fixas de Al Qaeda, talibã, Coringa e Eixo do Mal, que aliás, é o principal sintoma do lunatismo. George W. Obama também tem mania forte de perseguição, o que o enquadra clinicamente como esquizofrênico. Deu no Estadão:
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou hoje que seu país deve “desbaratar, derrotar e desmantelar” a rede terrorista Al-Qaeda e o Taleban no Afeganistão e no Paquistão. Obama anunciou novos planos para a região. A iniciativa inclui o aumento da presença de tropas norte-americanas no Afeganistão. Obama disse que, caso o governo afegão caia em poder do Taleban, ou a Al-Qaeda mantenha seu poder, “aquele país será uma base para terroristas que querem nos matar“.
Essa declaração de guerra velada não foi surpresa para nós, pois o Secretário de Defesa de Obama, ou promoteur da Guerra, é o mesmo de Bush, Robert Gates.

Tomara que o Fenômeno nos tire dessa.
O programa Big Brother virou uma tradição na televisão brasileira. Tanto é que até se criou uma nova profissão no país: BBB. Para nossa sorte, em 2009 a Rede Globo nos presenteará com mais um Big Brother Brasil, usando o mesmo formato vencedor dos anteriores: iletrados de diversas estirpes presos em uma casa tentam não se matar de tédio enquanto fazem absolutamente nada.
Eu considero esse formato extremamente manjado e tedioso, primeiro porque todos os participantes são clones de personagens que apareceram em Big Brothers anteriores, e segundo porque todas as pessoas lá dentro são muito parecidas entre si. Isso não cria nenhum conflito, pois a tendência é que cada pessoa lá dentro, sendo idiota, se dará bem com o idiota do lado, por uma questão de afinidade. É sabido que os idiotas nutrem uma afeição especial pelos seus semelhantes, talvez até por enxergar no outro a própria idiotice.

Eu proponho um novo formato de Big Brother que, para efeitos de compreensão, chamaremos de Big Brother Ultra. Chega de discussões vazias sobre comida ou sobre a qualidade do chuveiro da casa. No Big Brother Ultra, teremos novos personagens, que testarão os limites da coerência e da tolerância humanas. Seriam colocados na casa:
- uma prostituta daquelas orgulhosas e um padre;
- um palestino e um judeu com uma Uzi;
- uma patricinha de Beverly Hills e uma feminista estilo Simone de Beauvoir;
- um punk e um burguês;
- um evangélico fervoroso e um ateu;
- um socialista e um capitalista;
- um vegetariano, sendo que a única comida na casa seria frango e carne.
- um indiano e um paquistanês;
O “capitalista” pode ser a mesma pessoa que o “burguês”, bem como o “socialista” pode ser o “ateu”. Assim, teríamos um array bem diverso de pessoas e de tipos humanos, o que criaria grandes conflitos e questões impossíveis de serem resolvidas sem uma boa briga.
Essas personagens são estereótipos, é certo, mas é isso o que as pessoas querem ver. Não ficaria legal colocar um indiano que é amigo do paquistanês, que torcem pro Vasco e que vão juntos no cinema assistir Marley & Eu. Não. Eles tem que se odiar e usar aquelas roupas típicas enquanto arremessam pedras mutuamente. O cérebro do telespectador comum não consegue trabalhar com tantas variáveis – os estereótipos tem que ser fechados neles mesmos, imutáveis. O telespectador vive desses estereótipos, e se é isso que as pessoas tem como real, ora, vamos fazê-lo, afinal, a televisão já mostrou coisa pior.

Os objetivo dos participantes não será somente ficar até o final do programa, como é o costume nos Big Brothers tradicionais. No Big Brother Ultra, o objetivo será completar missões. Por exemplo, o evangélico fervoroso pode ser designado para tentar converter o ateu. Só que ele não sabe que a prostituta foi designada para atrair ele mesmo, e assim por diante. Quem completar as missões ganha prêmios e permanece no programa, ao contrário dos que perderam. Seria politicamente incorreto? Sim – como várias coisas no planeta, aliás.
Várias situações que dariam audiência aconteceriam. O socialista poderia requerer a socialização da prostituta, ao que o capitalista contra-argumentaria que a prostituta deveria ser regida por valores de mercado. A feminista reclamaria da prostituta ter se transformado em objeto, e o socialista se juntaria ao capitalista para escravizar a feminista. A grosso modo, a casa seria uma metáfora dos pontos extremos do espectro político e social do planeta, e os conflitos deste podem ser representados com fidelidade na casa, que seria uma espécie de Berghof da Montanha Mágica. Isso permitiria uma análise microscópica de fenômenos que temos como globais.
O interessante é que em meio a essas brigas, veríamos como se comportam os participantes quando confrontados com uma adversidade ou com um argumento contrário. A adversidade não constrói caráter – e sim o revela. Verificaríamos a coerência des suas argumentações, suas lógicas, suas hipocrisias. Veríamos quem sabe ouvir e quem só fica nervoso e sai da sala. Talvez os espectadores mais inteligentes perceberiam que, no fundo, os participantes do Big Brother Ultra não são opostos em suas convicções, mas iguais em sua intolerância.
Publicado em Comportamento, Cultura, Imprensa, Mídia, Televisão
Com a tag Imprensa Marrom
Que a imprensa vive de assustar a população todo mundo sabe, e o Emplastro não vai cair no lugar-comum de ficar repetindo esse leitmotif, até porque seria coisa de repórter da RBS ou da Veja. Uma das coisas que mais me maravilha a respeito da imprensa e seu reinado de terror é a criação de tragédias homéricas, mesmo que pra isso seja preciso omitir estatísticas confiáveis. A ordem do dia é pânico, e se você acha que está tudo correndo bem… cuidado, sempre existe alguma tragédia à espreita. É uma tática diversionista, que nos desvia dos reais problemas da sociedade. Hoje não falarei de crime, tema recorrentemente usado nesse tipo de propaganda, na acepção soviética do termo. Falarei dos grandes perigos biológicos.
Vocês lembram do escândalo que a imprensa faz periodicamente, no verão? A grande epidemia de dengue, que vem todo ano para acabar com o Brasil? Que doença insistente não, sempre retornando ao combate, como um pitbull com metanfetamina na cabeça. A dengue contaminou em 2007 mais de 500 mil brasileiros, o que realmente é preocupante – nisso concordamos. Esse é um dado da Organização Mundial de Saúde. Porém, a imprensa, em conluio com o governo, usa o fato da “extinção da dengue por determinado governo” como trunfo político de determinados governantes, quando na verdade, a dengue só ataca pra valer no verão, saindo de circulação naturalmente no outono. Depois, a imprensa, ao invés de cumprir seu papel informativo, vem elogiar o Ministério da Saúde ou qualquer político mancomunado pelo combate êxitoso à dengue. Só que, gurizada, tenho um dado pra vocês. A dengue não acabou:
Opa! Na verdade, ela não só não foi combatida, como está contaminando um número maior de pessoas ano a ano. No verão 2008/09 nós vamos para o recorde. Estranho, tenho certeza de ter ouvido na imprensa elogios ao excelente “trabalho de combate à dengue pelo Ministério da Saúde”.

“I will hunt you down and kill you!“
Então a dengue tá crescendo, tá ficando perigoso né? Não. A dengue é uma doença que, ao contrário do que a imprensa quer que você acredite, não mata quase ninguém – embora ela pudesse ter poupado Diego Hypólito de um mico global.
Observe: somente no Rio de Janeiro, 19 mil pessoas foram infectadas em 2007. 74 delas morreram de dengue ou suspeita de dengue. Bom, vou deixar a imprensa largar na frente, como o coelho fez com a tartaruga, e concedê-la que todas essas 74 morreram efetivamente de dengue. Vamos aos cálculos.
19.000 ——– 100% dos infectados
00074———- X,
Logo,
19.000X = 7.400
X = 0,38%
Portanto, 0,38% das pessoas que contraíram dengue morreram. CUIDADO!, diz a imprensa aos gritos, se você pegar dengue você tem apenas 99,62% de chances de sobreviver! Uma tragédia.
É mais fácil você morrer de tuberculose, pneumonia, doenças da pele, desgosto, mordida de labrador e faca de manteiga do que de dengue.
Outra grande falácia, essa internacional, e que agora saiu um pouco de moda, é a Gripe do Frango, ou SARS (até a sigla é assustadora). Em 2001 ela matou, pasmem, 257 pessoas. No mundo todo. Em 7 anos. Perigoso, hein? O Ebola é tão letal quanto: matou até hoje 245 pessoas e vários gorilas.
Se alguém estivesse realmente preocupado em melhorar a saúde no país e deixar de lado o sensacionalismo, deveria atacar as verdadeiras causas da morte no Brasil: as doenças cardíacas (200.000 mortes por ano) e os acidentes de trânsito (40.000 mortes por ano). Leitor, você, estatisticamente, morrerá disso. Deveríamos estar preocupados com a procedência dos nossos alimentos, sua qualidade e com o nosso sedentarismo. 200.000 é número de pandemia. Será que a gente está levando um estilo de vida correto? Os números dizem que é hora de repensar isso.
Deveríamos estar preocupados com os açougues que são as estradas brasileiras devido a falta de rigor na fiscalização do tráfego. A Guerra do Iraque produziu em 5 anos 4.000 americanos mortos. As estradas brasileiras, em um ano, produzem 10 vezes os 5 anos de Iraque. É muito para um país em tempos de paz – mas a imprensa não mostra isso, pois o estilo de vida do automóvel não pode ser questionado.
Vamos nos ater às preocupações reais, que já são de tamanho suficiente. Não e necessário criar epidemias, o Iraque já é aqui.
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Com a tag Imprensa Marrom