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Hemingway, o precursor do Twitter

Agora que o twitter é febre mundial, também o Emplastro, sentindo necessária uma corrida à tecnologia para recuperar o tempo perdido, decidiu tocar no assunto. Contudo, essa trend mundial ainda permanece um tabu em nossa redação, e temos tanto medo dele quanto o ébrio habitual da conta do boteco. Afinal, ainda escrevemos este blog à máquina, e só agora estávamos nos adaptando à chegada da televisão.

Escrevemos também para avisar que o twitter surgiu, ao contrário do que alguns pensam, ainda na década de 1920, quando o Emplastro era um quarentão em crise de meia-idade. Seu inventor seria o Hemingway, que, convenhamos, fez de tudo nessa vida. Segundo a sempre confiável Wikipedia:

The original short short story. In the 1920s, Hemingway bet his colleagues $10 that he could write a complete story in just six words. They paid up. His story: “For sale: Baby shoes, Never worn.”

É tão curta quanto trágica - como a reação da criança que descobre que dentro do pote de sorvete a mãe guardava feijão.

Enterro da Baía Sul

Quando se observa o Aterro da Baía Sul, percebe-se que os caras que planejaram sua ocupação não tinham a menor idéia do que estavam fazendo. Trata-se de uma área à beira-mar localizada no centro da cidade que foi ocupada por instalações que não deveriam tomar lugar ali.

aterro1

Só faltou um Niemeyer…

Tudo bem, é sabido que no início havia um plano de tornar o aterro uma espécie de mini-Rio de Janeiro, com jardins de Burle Marx. Seria uma área de recreação, mas essa idéia foi aterrada na medida que diversos governos se sucederam na capital catarinense. Os jardins foram derrubados para a construção do novo camelódromo, bem como do estacionamento dos carros particulares de cobradores e motoristas.

O cheiro desagradável que emana da estação de tratamento de esgoto não é um cartão de visita muito bonito ao visitante que chega a Florianópolis, que é daquelas cidades onde o fedor do campo político deixou de ser metáfora e materializou-se.

O fato é que em algum ponto o pessoal do planejamento ligou o “foda-se”, e, desde então, qualquer coisa que precisa ser contruída pelo governo é erguida no aterro. Antes tivesse ficado o mar.

A Gravata e o Ministério da Desburocratização – parte II

Era o fim do sonho de Hélio Beltrão. Mais uma vez a gravata triunfava e continuava sua caminhada de destruição pela história.

A trajetória dos dois últimos presidentes do país só ajuda a comprovar o fato. Sem gravatas, dois típicos brasileiros simples e confiantes, na poética fala do injustiçado Hélio Beltrão.

FHC lia Marx e Gramsci; foi exilado; foi aposentado compulsoriamente pelo Regime Militar, por suas idéias subversivas. Depois, de gravata, ajudou a fundar o PMDB, a fundar o PSDB e a afundar o Brasil (Sem ser injusto, é preciso reconhecer que este último feito ele conseguiu quase que sem ajuda).

Lula foi engraxate, office-boy, operário e sindicalista; organizou greves gigantescas e foi preso pelo governo militar (naquela época, um atestado de idoneidade). De gravata, foi o deputado federal mais inoperante da história deste país. Como presidente, a gravata apertada e a falta de pescoço impediram-no de virar a cabeça para ver, da janela do Palácio do Planalto, o que acontecia nos gabinetes espalhados por Brasília.

Prova de que os problemas de seu governo tem causa na gravata, é que, quando está de folga e não a usa, até que faz coisas legais. Bons exemplos são a descoberta da camada pré-sal, num banho de mar durante uma de suas trinta férias anuais, bem como os divertidos churrascos semanais na granja do torto, com muita cerveja e futebol.

Diante de tudo que foi dito, ficou evidente que a História é repleta de homens que, ao colocarem a gravata, tornaram-se grandes ditadores. Adolf Hitler, Ricardo Teixeira e Charles Chaplin são só mais alguns exemplos.

Espero que o texto tenha alertado vocês, caros leitores, para o perigo que nos ronda 24 horas por dia. Os homens de gravata, como por juízes, advogados, promotores, executivos, garçons e mordomos, controlam nossa vida sem que percebamos.

E para os que apenas estão rindo ou achando sem graça essa suposta fantasia sobre as “inofensivas” gravatas, não custa lembrar o caso do agricultor e cineasta John de Bello.

Em 1978, Bello fez um filme mostrando um selvagem ataque de vegetais1 a seres humanos… As pessoas riram. Em 1988, 7 milhões de tomates assassinos retornaram2, atacaram novamente3 e comeram a França4, resistindo a todos os esforços para expulsá-los… Ninguém está rindo agora. Este é um texto sobre gravatas malignas.


O recado está dado.

PS: Com a extinção do Ministério da Burocratização foi criado o Programa Federal de Desregulamentação, este sim um nome autoexplicativo.

L.R. Farias

A Gravata e o Ministério da Desburocratização – parte I

Em 2008, houve uma tentativa – infelizmente fracassada – de livrar o Congresso Nacional das gravatas. Foi apresentado projeto de lei desobrigando o uso da gravata e paletó pelos parlamentares, como medida para economia de energia dos aparelhos de ar-condicionado. O projeto foi vetado rapidamente pela mesa diretora do Senado.

A primeira vista, podemos pensar que o veto do projeto1 se deu por questões puramente de elegância e formalidade. Mas há uma razão maior, que remonta aos tempos de Jesus Cristo. O tema é delicado e, por isso, constantemente abafado pela mídia. O que poucos tem coragem de revelar é o domínio exercido pela gravata sobre os homens.


O Emplastro aceitou o desafio.


Antes mesmo do surgimento da gravata, já havia um evangelho, sonegado tanto por cristãos como por judeus, e retirado da Bíblia durante o Concílio de Nicéia, que pregava o repúdio de Jesus ao acessório. Martin Scorcese retratou a história narrada nesse evangelho em seu polêmico filme “A última tentação de Henry Sobel”.

Por ser a única rede televisiva que não possui qualquer ligação com religiões, só a Record teve imparcialidade suficiente para apresentar o filme2 e provar, mais uma vez, que a Universal é a verdadeira representante do Senhor.

Sobre seu efetivo surgimento, conta-se que a gravata apareceu no século XVII, durante a guerra dos trinta anos, quando os mercenários croatas a serviço da França utilizaram uma tira no pescoço para diferenciar soldados e superiores. Os parisienses – sempre eles – acharam o adorno militar coisa finíssima e lançaram a moda.

Observando o efeito da gravata nas pessoas, mais especificamente em Luís XIV (ele mesmo, o radiante), Rousseau, com toda sua perspicácia, cunhou sua célebre frase: “L’Homme nait bon. C’est la société qui le transforme” (O homem nasce bom. É a gravata que o transforma).

E nem precisava ser um Rousseau para perceber que algo criado por mercenários e popularizado por parisienses não daria em boa coisa.

No entanto, patrocinado pelas elites engravatadas, Hobbes conduziu uma das campanhas publicitárias de maior sucesso de todos os tempos, glorificando a gravata e convencendo o mundo de que tudo era culpa do próprio homem.

Nas propagandas da campanha, foram imortalizados dois dos maiores slogans da filosofia política mundial: “Homo homini lupus” (O homem é a gravata do homem) e “Bellum omnium contra omnes” (É a guerra de todos contra a gravata). A campanha fez com que a peça do vestuário passasse de terrível vilã a vítima das atrocidades da humanidade, deixando de ser perseguida para ser protegida.

Durante um longo período, os críticos da gravata foram severamente reprimidos. A situação piorou quando a Igreja finalmente aceitou a teoria heliocêntrica e pensou ter dizimado todas as bruxas, pois eles passaram a ser os principais alvos da Santa Inquisição, para sorte de Galileu e de Minerva McGonagall.

Só no começo do século XX é que o movimento de conscientização contra a gravata voltou a tomar força. Um dos principais nomes da revitalização do movimento foi Mahatma Gandhi, que, ao libertar-se do pano no pescoço (ele era advogado), lutou até a morte pela causa. No entanto, a mídia mundial, distorcendo seus ensinamentos, fez com que tudo parecesse uma mera luta contra a colonização.

Aqui no Brasil também houve manifestações. Os efeitos malignos da gravata nas repartições públicas foram alvo de denúncias desde 1943, quando o poeta e então funcionário público João Cabral de Melo Neto, no manifesto “Difícil ser Funcionário”, em nome de todos os funcionários públicos escreveu num tom de protesto: “Não me sinto correto/De gravata de cor”3.

Mesmo vítima de represálias, ele continuou sua luta por meio de mensagens espalhadas por sua obra. O “ovo de galinha”4, a que se refere no poema de mesmo nome, é uma clara metáfora para a peça do vestuário. Ainda mais direto é seu poema “cão sem plumas”5, comovente história de um homem que, por não usar a infame tira de pano, era tratado como animal pela sociedade. A crítica literária, flagrantemente corrompida, reduziu o texto a uma simples crítica social da pobreza às margens do Rio Capibaribe.

Em 1979, para combater a gravata, entra em cena Hélio Beltrão, pai da jornalista Maria Beltrão, que cobriu as férias dos apresentadores titulares do Bom Dia Brasil, em 2003, e, desde 2006, apresenta o Oscar junto do José Wilker (A Wikipédia, fundada por um homem de gravata borboleta6, desviou, em claro boicote, a atenção para sua filha).

Hélio Beltrão, com um audacioso plano para salvar o país das gravatas, ludibria o então presidente João Figueiredo, convencendo-o a instituir o Ministério da Desburocratização. Como Hélio Beltrão tinha votado a favor do AI-57, o general, inocentemente, acreditando que ele só queria colocar em prática outras idéias sem futuro, como os Juizados de Pequenas Causas e Estatuto da Microempresa, autorizou a criação da pasta.

E foi assim que, em 1979, foi criado no Brasil o Ministério da Desburocratização. O nome seria autoexplicativo caso estivéssemos em outro país.

Em uma de suas primeiras medidas, o Ministro da Desburocratização Hélio Beltrão aboliu a obrigatoriedade do uso da gravata nas repartições públicas, como relata reportagem do jornal “A Tarde”, de 19/10/19798.

O que a primeira vista parecia uma medida sem muita relevância, era claramente o ato de um homem obstinado a acabar com um dos maiores males que já assolaram a humanidade. E para os que acham que a medida só levou em consideração o conforto do vestuário, a seguinte frase do pai da apresentadora reserva do Bom Dia Brasil em 2003 prova o contrário:

“O brasileiro é simples e confiante. A administração pública é que herdou do passado e entronizou em seus regulamentos a centralização, a desconfiança e a complicação. A presunção da desonestidade, além de absurda e injusta, atrasa e encarece a atividade privada e governamental”.

Acompanhemos o brilhante raciocínio do então Ministro: se a administração pública é formada por brasileiros (simples e confiantes), por que ela tem como características a desconfiança e a complicação? A resposta é óbvia, a culpa é da gravata! Símbolo da complicação (de vesti-la) e da desconfiança (é uma forca disfarçada).

Ao se dar conta das reais intenções de Hélio Beltrão, o Governo Militar entrou em pânico, vendo a ditadura (dos militares e da gravata) próxima do fim.

Com os estragos causados, os militares, pressionados e sem poder político para reverter a situação, foram a obrigados a iniciar a transição das gravatas para um governo civil.

O comando do Ministério da Desburocratização, por exemplo, foi entregue a Paulo Lustosa, deputado federal pelo ARENA e pelo partido sucessor – o PDS. Este partido era notório por ser integrado por grandes antiburocratas, como José Sarney, Paulo Maluf, ACM, Fernando Collor e Jorge Bornhausen.

Com o fim do PDS (a chamada diáspora partidária), que espalhou os citados políticos por diversas legendas, finalmente, o país encontrava o modelo ideal de desburocratização da Administração Pública: a descentralização da direita. Com o sucesso da transição para um governo civil devidamente engravatado, o Ministério da Desburocratização foi extinto em 1986.


O Alfabetismo

A distinção de “analfabetismo” e “analfabetismo funcional” é uma criação ridícula que visa apenas dar a falsa idéia de que o processo de alfabetização está sendo efetivado com sucesso no Brasil. Veja bem: o conceito de “analfabeto” implica que a pessoa não sabe ler nem escrever nada, enquanto o de “analfabeto funcional” define quem lê e escreve mas não entende. Ora, se ambos tipos de analfabetos não entendem o que lêem e o que escrevem, não serve de nada que os analfabetos funcionais leiam e escrevam, de modo que “analfabeto” ou “analfabeto funcional” são a mesma coisa. Não existem tipos diferentes de analfabeto, como o governo quer que a gente pense. É um despautério tentar empurrar isso na goela dos brasileiros. Na prática, significa que esses “analfabetos funcionais” só aprenderam a assinar o nome,  habilidade que eles vão usar em notas promissórias, notificações judiciais e carnês de lojas.

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No Brasil, 11,4% da população é analfabeta, segundo estatística oficial, o que é muito bonito, afinal, dá a idéia que 88,6% da população é alfabetizada. Contudo, 70% da população é formada por analfabetos funcionais.

Para que você tenha uma compreensão melhor do que é esse Grand Canyon educacional, proponho que começemos a divulgar esta estatística, mas por inversão. Se 70% são analfabetos, então apenas 30% são alfabetizados. Vamos colocar essa informação nas estatísticas oficiais, e isso deveria urgir os gestores a fazerem algo importante pela educação.

Uma solução mais brasileira (e particularmente bem machadiana) seria essa, que eu consigo imaginar nitidamente num discurso de político maranhense:  “Senhores, a regra é composta pela maioria, e a exceção pela minoria, de modo que se os analfabetos são a regra, os alfabetizados são a exceção; logo, os coitados que precisam de auxílio são os alfabetizados; a doença deles é o Alfabetismo. Precisamos fazer de tudo para torná-los analfabetos e trazê-los para a normalidade“.

Sobre os olhos de Camille

Alguns anos atrás, ainda em 1884, me deparei com esta foto da escultora francesa Camille Claudel, e desde então ela me traz um série de sensações.

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Camille Claudel aos 19 anos

Ela olha para a câmera, o queixo levantado, numa expressão que poderia ser desafio. Apesar da fleuma da face, os olhos parecem fraquejar um pouco. São olhos tristes, olhos de uma confiança que hesitou, de quem luta para manter uma gagging order. Olhos que se atormentam por algo de ausente. Talvez seja até a expressão daquele momento que precede o choro iminente. Outra característica notável sobre os olhos de Camille é que, mesmo aos 19 anos, ela parece que já viu tudo. São olhos de quem já viu o que tinha que ver.

O Carmelio mencionou certa monta que ao analisar, separadamente, cada lado do rosto dela, é possível ver uma Camille diferente; enquanto o lado esquerdo (o mais claro) parece somente sério, o lado direito (mais escuro) parece sentir a falta alijadora de algo.

O que você vê nessa imagem?


Os atrasadinhos

Sempre cheguei nos lugares em que tinha que chegar no horário marcado – o que na verdade não constitui mérito nenhum. O dia que virmos isso como mérito, é sinal que a coisa está feia. De qualquer forma, o respeito ao tempo é imprescindível em qualquer situação cotidiana, e por vezes, sua ausência é um dos primeiros indícios de que a pessoa atrasada não tem um grau mínimo de compromisso. Repetidamente percebo em minha vida particular o desrespeito que muitas pessoas nutrem por horários marcados, até mesmo professores. Eu considero a hora marcada o horário de já estar no lugar combinado, e tento chegar com alguma antecedência, de modo a dar margem de erro para eventuais contratempos – os imprevistos têm que ser previstos. O “trânsito” é o bode expiatório mais freqüente de alguns. Ele é tratado como uma entidade superior, fora do controle humano, como se não nos restasse nenhuma ação ativa para fugir do caos motorizado. Ora, o tráfego existe com intensidade maior em determinados horários todos os dias, e a falta de assimilação desse fato, bem como a conseqüente reação lógica e natural de sair mais cedo no dia seguinte, só pode advir de uma incapacidade crônica de respeito e autocrítica. A hora marcada, para alguns, parece uma mera e vaga referência temporária, onde “20:00 horas em ponto” transforma-se facilmente em “a partir das 20:00”.


O show de Madonna!

Fico impressionado com a quantidade de gente que se mata para conseguir um ingresso nesses shows da Madonna no Brasil. Alguns acamparam na frente da bilheteria duas semanas antes do início das vendas. Outros vão em todos os 5 shows que ela fará no Brasil, a 250 reais o ingresso mais barato. Com carteirinha de estudante. Como os fãs arranjam esse dinheiro permanece um mistério para mim. E como conseguem tempo para conciliar trabalho, estudo e o show da loira é uma questão de física que o Albert não saberia responder.

O “fã” é um ente despersonalizado, que não faz nada além de ser um fã. Prova disso é quando eles dão entrevista na TV o que aparece na legenda é o nome do provável desempregado e embaixo, no campo destinado a profissão, aparece “fã”. João Osvaldo Oliveira, Fã. É isso. Uma vida resumida em uma sílaba, e, estranhamente, nesse caso não se perdeu nada com a redução. O fã é extremamente chato e persistente, fazendo qualquer negócio para conseguir seu intento, como um híbrido que une a entrega da Mari Alexandre à persistência do Ernest Shackleton. Uma das minhas diversões, ao travar conhecimento com um fã de alguma coisa, é falar “poxa, você é fã disso… eu acho isso ridículo”. Pronto, acabou qualquer chance de diálogo civilizado. O fã entra numa torrente interminável de palavras, e sempre tem frases  e adjetivos prontos, que não significam nada. Discutir com essas pessoas é uma causa perdida. “Como você tem coragem de dizer isso, eles são demais“. Nisso eu concordo. Eles sempre são demais para mim.

O Emplastro é um órgão demasiadamente sério, portanto, abolimos o uso do vocábulo “fã”, substituindo-o por outros que consideramos sinônimos. Enfim, tenho certeza que esse dinheiro gasto para ver a Madonna é um bom investimento. Afinal, tanta gente não poderia estar errada, não é mesmo?

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FãsDesocupados vendo as cortinas do quarto de Madonna no Copacabana Palace em dia de semana

A quantidade de gente crescidinha nessa foto acima mostra que a idiotice, ao contrário do que possa parecer à primeira vista, não é privilégio da juventude. Também é válida a suposição de que o desemprego está alto no Rio de Janeiro.

Em contraste, o deputado Edinho Bez discursa para um plenário vazio. Estariam todos no show da Madonna? Acho que temos um problema de prioridades, pessoal.

bez

“… e assim entra em vigor a MP que me torna ditador vitalício, a não ser que alguém do plenário se manifeste em contrário HUAHUAHUA!”

Depois de um dos shows da Madonna, os fãs o pessoal trabalhador que assistiu disse que “apesar do playback, o show é muito bom“. Peraí. Os fãsinúteis se matam pra assistir um show em playback? Ora, se a música já está gravada e toca sozinha, então eles foram no show somente para ver ela pular de um lado pro outro no palco enquanto um cd player toca as músicas? Se o show não tem música ao vivo, então o que sobra é ela, é a imagem dela, certo? O Emplastro Cubas cumprirá seu papel informativo destruindo esse mito da Madonna linda, poderosa. Não repetiremos esse leitmotif tão apreciado em outros canais de comunicação.

Pior de tudo é quando falam que ela representa o poder das mulheres. É o pior argumento que ouvi nos últimos 23 anos. Pelo contrário, ela representa boa parte das coisas que estão erradas no mundo. Falar isso é jogar no lixo todas as conquistas feitas pelas verdadeiras mulheres. Ela é um retrocesso em forma de marionete. E das feias. Recomendo aos fracos que não vejam as fotos que descobrimos após árdua investigação num arquivo secreto, em um porão úmido da Transilvânia:

madonna_teethAo contrário do que dizem por aí, dinheiro nem sempre compra tratamento ortodôntico


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Like a virgin!


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Alô criançada, o Bozo chegou!


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Lourdes Maria, a filha de Madonna, descartando a necessidade de exame de DNA com a sobrancelha.

O Emplastro Cubas deseja um ótimo Helloween para todos que vão assistir a Madonna e o Cd Player darem esse show. A série “Desconstruindo celebridades” voltará em breve. Permaneçam ligados.


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Fui avisado agora pela redação que o show não é de Helloween. Desculpem o engano, não sei o que teria me feito supor isso.

O fim de Mafalda e da rebeldia

“Quino disse que não voltaria a desenhar Mafalda agora porque, segundo ele, os jovens de hoje estão desiludidos e não querem mudar o mundo para melhor, ao contrário da década de 1970, quando nasceu a personagem.

“No mundo, os problemas acontecem em espiral, nunca da mesma forma. A época em que eu fazia Mafalda não se repete, toda a juventude tinha ideais políticos para começar, e achávamos, com os Beatles, o Che Guevara, o papa e o maio francês de 68, que o mundo estava mudando para melhor”, completou o argentino.”

(texto Folha de S.P.)

Uma pena que Mafalda chegue ao fim definitivo, mas teria que acontecer, eventualmente, de qualquer forma. Era uma tirinha muito contundente e divertida, que marcou minha infância. Quando Quino menciona que os jovens de hoje “não querem mudar o mundo para melhor“, não tiro a razão dele, pelo menos em parte – é claro que também existe um pouco de idealização e saudosismo no discurso de Quino. Mas o que vemos no jovem de hoje, em geral?

Eu vejo muita preocupação em se adequar aos padrões de uma repressão velada em forma de suposta liberdade. Um capeta em forma de guri. Veja, por exemplo, o rap e o hip hop. Perceba, leitor, aqui a qualidade musical ou sua ausência é irrelevante. Trata-se de passar uma idéia, e nisso esses gêneros dialogavam com os jovens da periferia como outros não conseguiram. É um tipo de música que já fez sentido em um determinado período, para levar àquele público uma mensagem de crítica social, no sentido de fazer com que os eles buscassem seu espaço no mundo. “Vamos contestar isso que está aí”, dizia o hip hop.

Entretanto, em algum ponto no caminho, esses gêneros foram abraçados pela mídia, que, subvertendo a mensagem original desses gêneros, reduziu-os a uma mera busca pela satisfação sexual e por bizarras jóias gigantes que parecem de comédia pastelão. A crítica social sumiu desses gêneros musicais. Agora o que importa é busanfa e bufunfa, e o jovem, ansioso em mostrar sua pretensa liberação, sai pelo mundo atrás de bitches and money, achando que está contra o establishment, quando na verdade está fazendo tudo que o sistema quer que ele faça.

Esse rapper lifestyle é tudo que uma sociedade capitalista quer: pessoas sem educação, acríticas, gastando mais do que podem, mantendo-se, sozinhas, subjulgadas, sem que o sistema faça nenhum tipo de esforço para isso. Elas ficam presas nesse looping por escolha própria, como um abatedouro que os bois frequentam por vontade própria.

A docilização progressiva da juventude está em pleno curso, e esse exemplo do hip hop é apenas um. Existem outras táticas diversionistas que o sistema aplica, com variados graus de sucesso e em todos os fronts, no sentido da docilização, de uma microfísica do poder. Existem hoje o metrossexualismo, o consumismo, a moda, o tuning de carros, só para citar alguns. Não vivi na década de 1970, mas acho difícil que esses fatores existissem com a frequência e intensidade que existem hoje. Tampouco os meios de comunicação tinham a penetração que têm hoje.

Evidentemente, não idealizo uma juventude excessivamente reacionária, disposta a pegar em armas por qualquer espirro. O meu ponto, ao escrever essas linhas, reside somente em ter jovens preparados na luta contra injustiças, para que, quando afrontados com algum fator, seja de ordem política, econômica ou social, tenham poder de reação e união frente à adversidade. Qualquer reação teria que vir necessariamente da juventude, pois as demais faixas etárias são incapazes de reagir consistentemente, seja por sectarismo, acomodação ou pura incapacidade física. Eles precisam ser capazes de garantir seu próprio futuro, e não esperar que lhes seja dado de presente por alguma entidade superior. Proponho pararmos de criar ovelhas e começarmos a criar pastores.

A juventude parece disposta a comprometer o futuro.

Sobre a chuva florianopolitana

A chuva que cai em Florianópolis há dois meses causa o mesmo efeito nos habitantes daqui que as chuvas de Seattle nos seattlenses, deixando todos meio paranóicos e completamente irritadiços. Seria por causa da chuva constante que Seattle tem índices japoneses de suicídio? Apesar de eu mesmo estar neurótico nesses dias molhados, procuro me esforçar em manter a compostura dos tempos em que havia outra cor além de cinza no céu. Acho que era azul, mas não vou dar certeza. Felizmente, as mulheres de Florianópolis, percebendo o monocromismo do céu, tentam colorir o dia através de suas belas calças justas.

Já é difícil lidar com comerciantes em geral nessa cidade, mas a chuva deixa tudo pior. Temos que ouvir o resmungo do cobrador ao passarmos pela catraca, e aturar a moça da padaria desviar os olhos ao dar o troco, como se eles nos responsabilizassem pela chuva. Mesmo não sendo culpado, eu o sinto. Subo a gola do casaco até o nariz e sigo.

Como os esquimós com o branco, eu, habitante do cinza, já reconheço diversas tonalidades dessa cor neutra como a Suíça: o cinza escuro-brabo que precede o temporal, o cinza mediano que anuncia somente a manutenção do tédio e da chuva por mais algum tempo e o cinza clarinho – esse é o mais sacana: ameaça transludir um raio de sol só para chamar rapidamente de volta os cinzas mais carregados. É o cretino que nos faz sair de casa sem guarda-chuva. Temos também o cinza de Manchester (que vem da fumaça) e  o cinza londrino (de Londres, não de Londrina, que vem da umidade), com a desvantagem dupla de não ter as bandas que eles têm e de ter as que nós temos.

Esse ano os especialistas não tentaram colocar a culpa no el niño, la niña, ou qualquer outro argentino, deixando-a repousar sobre a crise financeira. Discordo. Pelo contrário, a economia sofreu uma diversificação com a chuva: criaram-se lojas permanentes de guarda-chuvas, e já existem ambulantes que criaram os filhos e os levaram à faculdade vendendo guarda-chuvas somente. A coleção de primavera/verão de capas de chuva faz sucesso, e os baldes especialmente projetados para goteiras sumiram das prateleiras.

Para sorte do leitor, eu sou um velho lobo do mar e conheço bem o tempo. Isso vem dos meus dias de marinha mercante, quando transportava especiarias em lugares exóticos nos trópicos, em meio a mulheres lindas e fáceis infestadas com sífilis. Quando a chuva cai de leste na ilha (aquela que cai de baixo pra cima), e quando a manjuva vem dar na praia, é porque o aguaçal vai demorar 5 dias. Hoje é sábado, então choverá até quarta. Também sonhei que o Fidel Castro ia morrer. Vou apostar nisso. Vai chover dinheiro (inserir imagem de chuva).

Pronto, posso mandar meu currículo pra RBS.