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Mais um motivo para andar de bicicleta

Se um motorista de Florianópolis vier da Beira-mar (A) em direção ao continente (B), os hábeis engenheiros do IPUF determinaram que este é o caminho que ele deve percorrer:

ipuf

Primeiro o trajeto passa por baixo das pontes, depois por cima do viaduto, depois por baixo do viaduto, para só então entrar na ponte.

O Emplastro decidiu contratar uma caríssima e conceituada firma de especialistas em tráfego para dar uma solução nesse nó de estradas. Como talvez os engenheiros locais não entendessem, pedimos aos especialistas que lhes explicassem como se tivessem 4 anos de idade. Eis a resposta que obtivemos:

crianças

Ou seja:

diego

Pronto.

É só fazer uma rampa de acesso. Estamos ficando cansados de resolver os problemas que não são de nossa jurisdição. Mas pensando bem, é melhor deixar assim mesmo.

Luiz Henrique da Silveira proíbe Audax

Estava a navegar pelo site da ViaCiclo quando me deparo com a informação de que o Audax Floripa 2009, programado para o dia 28 de Junho, foi proibido pelo governador do estado, que por falta de sorte, é o Luiz Foca da Silveira.

O Audax é uma prova de ciclismo internacional existente desde 1921. Trazer um evento desse porte para Florianópolis seria muito bom para a cidade.

Transcrevo trecho da notícia veiculada no sítio da ViaCiclo:

“No entanto, um fato bastante lamentável causou vergonha a toda Florianópolis, anfitriã pela primeira vez de um evento da envergadura do Audax. Embora todos os trâmites legais tenham sido cumpridos pela organização, que enviou pedido formal de autorização 20 dias antes da realização da prova, o comando local da Polícia Rodoviária Estadual – PRE, numa clara demonstração de incompetência e desrespeito, tratou de proibir o Audax dois dias antes da data marcada.

Na véspera, em contato com grande parte dos inscritos (num total de 447 pessoas), os organizadores assumiram o cancelamento da prova, colocando-se à disposição para devolver a quantia paga na inscrição. Porém, como ninguém se sentisse “fora de lei” apenas por andar de bicicleta, não houve nenhum pedido de devolução.

Assim, ficou acertado entre os próprios participantes que todos largariam, embora a prova estivesse oficialmente cancelada. Pouco antes do horário previsto para o início (6 da manhã), um dos organizadores do Audax, o sr. Milton Della Giustina, referência em ciclismo competitivo e questões de mobilidade urbana, recebeu uma ligação do comandante da PRE com o seguinte comunicado: “o governador do Estado proibiu a realização deste evento.” Ao que lhe foi respondido, conforme decisão da véspera, que a prova estava cancelada, embora não houvesse nenhum dispositivo legal que impedisse os ciclistas de pedalarem por conta própria na cidade.

Não bastasse o telefonema, os policiais protagonizaram ainda uma atitude que beirou o ridículo. Viaturas passavam pelos pedalantes no Rio Vermelho, de megafone em punho, gritando que “aquele evento não estava autorizado, e os participantes estavam correndo risco de morte”.”

A atitude dos ciclistas de iniciar a prova mesmo com o cancelamento da organização foi uma demonstração de vontade e de protesto frente à estupidez governamental, que preferiu tratá-los como delinquentes. Aparentemente não ocorreu ao sábio Foca que os ciclistas eram em sua maioria turistas, como também não têm ocorrido a ele qualquer idéia boa nos últimos 50 anos.

Uma coisa tem me chamado atenção nas decisões que o Luiz Foca da Silveira toma como governante: independentemente da escolha que ele tome, entre duas alternativas excludentes, ele sempre escolhe a errada. Dessa maneira, daqui para frente, nas decisões políticas que ele vier a tomar, sugiro usar o seguinte método: ver qual alternativa ele escolhe e seguir a oposta.

A falência dos motores a combustão

#post re-publicado atendendo pedidos#

Com a crise econômica mundial três dos maiores símbolos do american way of life, GM, Ford e Chrysler estão com seus dias de bonança contados. Surgidas no ainda incipiente capitalismo do pré-guerra, elas ganharam momentum após a Grande Depressão de 1929, quando o subsequente New Deal de Roosevelt incentivou obras faraônicas no setor de infra-estrutura, especialmente estradas. Curiosamente, agora é outra crise que irá influenciar inevitavelmente o destino dessas três empresas responsáveis por grande parte da emissão de CO2 do mundo, desta vez para pior. A culpa não é da crise financeira – ela só revelou a fragilidade dessas fábricas, que não perceberam a chegada dos novos tempos.

A indústria do automóvel atual é obsoleta. Um carro de 1938 não é muito diferente de um carro de 2008, 70 anos depois. Não houve uma mudança significativa de paradigmas. Ou estou errado?

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Claro que muita coisa melhorou: acessórios, consumo, conforto, velocidade, estabilidade, confiabilidade. Porém, os carros continuam com o mesmo tamanho, o mesmo peso, e o mesmo arranjo básico – motor a combustão, tração dianteira, 4 rodas, porta malas atrás, capacidade para 4 pessoas, etc. Comparado com outros ramos da indústria, a do automóvel não me parece ter evoluído tanto. Afinal, que sentido tem hoje um carro que pesa 1,5 tonelada transportar uma pessoa de 80Kg?

Uma verdade inegável é que, enquanto as japonesas Honda e Toyota procuram desenvolver uma tecnologia verde, as americanas não só ficaram para trás, como retrocederam para a fabricação de tanques que consomem 3 litros de gasolina por kilômetro, como o Hummer. Infelizmente, o lobby das montadoras, que usam possíveis demissões como carta de barganha, ainda é fortíssimo, e o governo norte-americano está intervindo em sua ajuda. Aparentemente, as empresas defendem um estado que não regula a economia somente quando é interessante. Quando há necessidade de ajuda, é ao governo que elas recorrem, com o rabo entre as pernas. Se o governo ajudar, ele tem a obrigação moral de exigir restrições, ou mesmo a extinção do motor a combustão, bem como outras mudanças, como exigir que os carros façam, no mínimo, 30 kilômetros por litro, no caso da manutenção dos motores a combustão. Isso colocaria em prática forçosamente uma mudança que já é iminente, girando as rodas da revolução verde. Seria um tremendo avanço – o que já é suficiente para nos deixar céticos quanto as chances disso acontecer num futuro próximo.

car-smoke-200Maria Fumaça


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Ex-quadrilha da fumaça mergulhando em stall


O número de carros verdes fabricados por todas empresas americanas, juntas, é zero. O motivo para as gigantes americanas não estarem a fabricá-los – nenhum modelo sequer – permanece um mistério para mim. Seria porque eles consideram inexistente um mercado consumidor desse segmento? Será que o consumidor estaria preparado para ter um carro elétrico? Enquanto eles discutiam isso, a Toyota lançou o híbrido Prius e vendeu mais de 1 milhão de unidades só nos Estados Unidos. A Honda também lançou um carro semelhante, com resultados não muito diferentes. Não é de admirar que as fábricas americanas estejam falindo, com essa visão de negócios do tempo do onça.

Ao Emplastro Cubas parece ótimo um carro não-poluente que não depende de uma aliança artificial com os sauditas, um oleoduto na complicada região da Ossétia do Sul e uma Guerra do Iraque. Uma guerra é sempre feia, mesmo que esteja longe. Os defensores da Guerra do Iraque podem clicar aqui. Não fiquem chocados com essas fotos, afinal, é o preço que o povo iraquiano tem que pagar pela liberdade. A do nosso automóvel.

A Fauna brasileira

O Emplastro Cubas orgulhosamente traz de presente aos nossos numerosos leitores uma mostra da incrível diversidade da fauna brasileira. Uma cortesia Ecosport: Bem vindo à vida.

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Gambá

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Urubu brasiliensis

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Gambá


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Gato

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Rato

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Cobra Coral

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Tatu

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Azulão

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Tamanduá

Quem cometeu o assassinato?

Um video que tem o objetivo de mostrar às pessoas que, mesmo quando elas acham estar atentas, talvez não estejam. Descubra quem cometeu o assassinato:

Niemeyer – 100 anos de engabelação

O que as pessoas vêem na obra de Niemeyer para ele ser tão idolatrado Brasil afora? Ele é adorado aqui com tanta veemência que o resto do mundo se deixou acreditar que a obra dele é boa. Só o fato de ter sido discípulo e seguidor inconsequente do Le Corbusier já o desqualifica no primeiro exame. O modernismo, por ter a idade de Niemeyer, já é antiquado há algum tempo, só que ele – ou qualquer outro, aparentemente – não percebeu ainda.

A minha teoria afirma que o Niemeyer é o único arquiteto brasileiro – daí sua unanimidade. Ao fazer qualquer obra pública no Brasil, os governantes falam: “precisamos de um arquiteto!”, ao que uma voz responde, hesitante,  “que tal aquele… Niemeyer?”, satisfazendo a predileção nacional por clichês. Nunca ocorreu às pessoas que existem outros arquitetos, e a maior parte deles melhor que o centenário. Do mesmo modo que ao ser mencionado “futebol” existe a associação imediata com uma bola, arquitetura traz arrastada em seu bojo o Niemeyer. “Olha pessoal, lá vem o Niemeyer capengando atrás da arquitetura”! E é assim desde 1907, quando nasceu. Seu mérito maior é ter sobrevivido a Derçy. Talvez tenha até pegado ela lá pela década de 1920, mas isso a gente nunca vai  ter certeza.

Niemeyer viveu de dinheiro público, e é o socialista mais rico do Brasil. Desenhou obras de duvidosa beleza e nenhuma praticidade. Pergunte a quem trabalha ou mora num “Niemeyer”, eles vão te explicar melhor. O primeiro trabalho de grande porte de Niemeyer foi o prédio do Ministério da Educação:

Ministério da Educação

Bonito, hein?

“Em 1936[12], o escritório onde Niemeyer trabalhava como estagiário, dirigido por Lúcio Costa e Carlos Leão, foi chamado pelo ministro da Educação e Saúde, Gustavo Capanema (que anulara o concurso público ganho por Archimedes Memoria), para projetar o novo edifício do Ministério da Educação e Saúde.”

Falando assim até parece que eles tinham amigos na política. Deve ter sido uma carreira fácil. Naquela época os políticos chegaram a anular o concurso público pra colocar o matusalém desenhando esses cubos de Rubik. Não foi o Sarney que inventou isso.

Tudo bem, ele é um produto do seu tempo- é aí que mora o problema. O tempo dele não acaba nunca. Ele vai viver ainda o bastante para ver todos nós morrermos.

Insatisfeito em deixar o Rio de Janeiro um pouquinho mais parecido com 1984 de Orwell, Niemeyer projetou a Igreja da Pampulha em Belo Horizonte:

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Hangar alienígena

Como o dinheiro público pagou todas as obras do Niemeyer, me reservo ao direito de colocar aqui a que saiu pior (não inteiramente por culpa dele): Brasília. Niemeyer projetou os edifícios, e Lúcio Costa o urbanismo. Uma cidade feita para o automóvel, e com vários “palácios” que têm espelhos d´água na frente para reluzir suas fachadas. Ora, as fachadas deles já são feias sozinhas, não há a necessidade de gastar água para duplicar nosso desgosto, que, além do mais, é um sério desperdício. Niemeyer fez prédios que não aproveitam a iluminação natural, não armazenam água da chuva e são verdadeiras bestas de concreto armado. Precisamos tirar o Niemeyer de perto dos prédios públicos, e pra ontem.

Quem se habilita a caminhar em Brasília?

brasilia_ministeres“Mãe, vou até ali comprar pão e já volto pro café”


Obrigado Niemeyer: 100 anos fazendo do mundo um lugar ótimo para os proprietários de automóveis.

Apocalipse motorizado


A notícia não surprende: a velocidade dos carros em SP diminuiu 32% em 10 anos. Natural, numa cidade onde a cada mês 8.000 novos carros entram em circulação, segundo dados do Detran-SP. O problema é agravado com o rodízio de carros, que, ao invés de melhorar a situação, tende a piorá-la, já que a maior parte das famílias de médio a grande poder aquisitivo têm em suas garagens um “carro de rodízio”, para ser usado nos dias em que o carro principal da família não pode circular. Esse “carro de rodízio”, por ser uma segunda opção, e não considerado carro “oficial” da família, por assim dizer, tende a ser antigo, por vezes com mais de 20 anos para conseguir a isenção de IPVA. Na prática, o que ocorre é um excesso de carros velhos propensos a quebrar em meio ao trânsito, tornando o tráfego ainda mais lento do que é, isso sem mencionar outros problemas inerentes, como a poluição dos carros e a impermeabilização do solo pela crescente malha de asfalto. Tanto a implementação do rodízio quanto a isenção de IPVA para carros e chevettes com mais de 20 anos exemplificam perfeitamente quando o Estado, ao mostrar boas intenções, acaba subvertendo sua idéia inicial.

A especulação imobiliária tem sua fatia de culpa, já que, com o aumento excessivo de preços dos imóveis, as pessoas têm muita dificuldade em morar perto de seu local de trabalho, e, seguindo o modelo estadunidense, fazem viagens dentro de suas próprias cidades todos os dias, ida e volta, em seus carros individuais (a média de ocupação de um carro em cidades é de 1,2 pessoa por carro) hooked on hidrocarbonetos. Sobre o trânsito em SP, recomendo fortemente o documentário sociedade do automóvel.

Em Florianópolis, por enquanto ainda não temos números tão assustadores, sendo que a coisa fica mais complicada na alta temporada. Aqui, como em SP, as empresas concessionárias de Transporte Público, ao garantirem sua concessão por períodos de tempo consideráveis até mesmo em termos geológicos, se acomodam. Como determinadas empresas detém o monopólio sobre suas respectivas linhas, resta ao cidadão comum permanecer refém dos horários, itinerários e preços praticados pelas empresas de transporte. Os ônibus rodam superlotados, com o ar condicionado desligado para “economizar óleo”, segundo um cobrador azul me disse entre uma cusparada e uma conferida no jogo do Avai, e a leniência bovina mais a resignação tácita estampada nas caras dos passageiros que permanecem nos fornos ambulantes me traz flashbacks, ora de Orwell, ora dos trens alemães entre 1939 e 1945.

Monumentos ao automóvel

Após a Grande Depressão de 1929, o governo de Roosevelt, através do New Deal, investiu pesadamente na construção de estradas como forma de estimular a economia e criar empregos. Isso permitiu a existência de megalomaníacos do automóvel como Robert Moses, que derrubou metade de Nova York para traçar suas avenidas.  O próprio Adolf Hitler, notório por suas ações sensatas, traçou milhares de kilômetros das suas autobahn que não têm limite de velocidade. Infelizmente, essa “agenda do asfalto” impregnou-se também no Brasil, já em 1926, com Washington Luís e seu intragável “governar é construir estradas”.

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Apesar da época de ouro do betume ter iniciado em 1930, essa política continua muito forte até hoje. Pergunte ao Sr. Dario Berger, ele poderá explicar melhor ao leitor.

Este post é dedicado aos grandes monumentos que nossa civilização construiu ao automóvel, megaconstruções dedicadas ao modo de vida sobre quatro rodas. Você já parou para pensar quanto da área de uma cidade é dedicada ao automóvel?


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Tokyo

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Pequim


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Shangai


E como prova de que isso não resolve engarrafamento…

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Moscou


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Los Angeles


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Los Angeles de novo

E o pensamento geral:

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(I)mobilidade urbana

“A política de mobilidade urbana da administração Kassab”.
Foto retirada daqui.

A ponte Otávio Frias, que leva o nome de um dos donos da Folha de São Paulo (o bom e velho hábito nacional do poder público puxar saco de empresas) , foi inaugurada em maio e recebeu críticas de vários fronts. Uma comunidade foi desalojada para permitir a construção de uma ponte que, basicamente, liga um congestionamento ao outro. Prova disso é a “quilometragem” dos engarrafamentos em SP, que continua beirando os 200 km.
Creio que acontecerá um debate grande daqui pra frente no Brasil, especialmente porque SP abriga boa parte da mídia nacional – e até os influentes jornalistas ficam presos no tráfego. A medida que a cidade pára, torna-se cada vez mais interessante para nós ver que tipo de medida as autoridades criarão para se desenrolar desse nó motorizado – se serão somente monumentos ao automóvel, como a ponte estaiada, de eficácia discutível, ou se haverá mudanças no paradigma de mobilidade urbana atual. De qualquer forma, será um debate televisionado. Melhor para nós.


A falácia do Ecosport

O Ecosport é um carro razoável, e é até bonitinho. É vendido por até R$60.000 reais, valor comparável ao dos melhores carros produzidos no Brasil, mesmo sem ser tão bom quanto eles, o que o torna uma compra de impulso, e não uma compra racional. Mas porque um carro simples, que não tem sequer desempenho bom é vendido por esse valor?

O que a montadora fez foi pegar um Fiesta, colocar uma suspensão mais alta e uma lataria diferente e jogar o valor lá em cima. Enquanto um Fiesta custa R$30.000, o pesado Ecosport custa o dobro. A tática tem dado certo, e o carro está vendendo bem pra burro. Isso porque a classe média almeja ter uma caminhonete. Ela não quer um carro comum, eficiente, fácil de estacionar. Quer um carro alto, gastador, afinal, a caminhonete é o poder em forma de carro, é a própria masculinidade e potência sexual do dono num só objeto. É o símbolo irrefutável da transição entre classe média e alta. De lá de cima você vê o trânsito todo. Você é quase Deus.

Entretanto, só compra Ecosport quem não consegue affordar uma caminhonete de verdade, que custa bem mais. Então, ao se deparar com um Ecosport na rua, as pessoas não deveriam ver alguém que conseguiu ter uma caminhonete, mas alguém desesperado para ter uma caminhonete de verdade e não conseguiu. Perceba você leitor, no Ecosport está circunscrita toda a aflição causada pela ganância humana, pelo desejo de ser o que não somos, pela vontade absolutamente desesperada de potência. O Ecosport é a metáfora motorizada da ambição desenfreada.

***

Percebendo a jogada por trás do Ecosport, e a fortiori, o lucro proporcionado, as montadoras rivais subiram no bonde e já lançaram carros semelhantes: o Crossfox, um Fox levantado, e o Ideia Adventure, um Ideia com paralama maior que engana a classe média desperate housewives, que permanece em cárus.

salve_a_natureza1“Salvem a natureza, comprem Ecosports!”

Insatisfeitos em enganar a classe média comedora de mosca, a montadora ainda associa ao carro uma imagem ecológica – ora, qual carro movido a motor de combustão pode ser ecológico? Na verdade, por ser um carro bastante pesado e pouco aerodinâmico, seu rendimento é consideravelmente menor que o de carros com motor equivalente. Algumas capas de estepe irônicas que você pode escolher para seu Ecosport (clique na imagem para ampliar):

capa_estepe1Ecosport – o jeito mais selvagem de ficar preso no trânsito.

Os pandas agradecem.