Emplastro Cubas

Hemingway, o precursor do Twitter

18 Novembro , 2009 · Deixe um comentário

Agora que o twitter é febre mundial, também o Emplastro, sentindo necessária uma corrida à tecnologia para recuperar o tempo perdido, decidiu tocar no assunto. Contudo, essa trend mundial ainda permanece um tabu em nossa redação, e temos tanto medo dele quanto o ébrio habitual da conta do boteco. Afinal, ainda escrevemos este blog à máquina, e só agora estávamos nos adaptando à chegada da televisão.

Escrevemos também para avisar que o twitter surgiu, ao contrário do que alguns pensam, ainda na década de 1920, quando o Emplastro era um quarentão em crise de meia-idade. Seu inventor seria o Hemingway, que, convenhamos, fez de tudo nessa vida. Segundo a sempre confiável Wikipedia:

The original short short story. In the 1920s, Hemingway bet his colleagues $10 that he could write a complete story in just six words. They paid up. His story: “For sale: Baby shoes, Never worn.”

É tão curta quanto trágica - como a reação da criança que descobre que dentro do pote de sorvete a mãe guardava feijão.

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Prêmio Diogo Mainardi de Redação – mais um competidor

13 Novembro , 2009 · 3 Comentários

O competidor de hoje é o texto do Kali, que, segundo a banca, se encaixa muito bem em todas as características mainardianas. O Jacaré de Madeira está cada vez mais disputado!


“Walt Disney era um desenhista americano. Um fato curioso marcava seus personagens: eles tinham apenas quatro dedos nas mãos.  Lula também tem só quatro dedos. Lula é o Pateta dos trópicos. Meu filho se assusta quando vê quadrinhos de Walt Disney. De alguma maneira, ele pensa que o bichinho vai tomar o poder e governar PTópolis. Henry Thompson, escritor americano, escreveu a história de Geoge Hudson, um rico excêntrico que caçava antas na Amazônia. Ele não acertava um tiro nas antas, só o o próprio pé. Os índios ficavam do lado da anta. Riam do fracassado caçador. Eu sou o George Lancaster tupiniquim. Lula é minha anta. Os índios tupiniquins? Bem, os índios tupiniquins são os índios tupiniquins mesmo.”

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Primeiro Concorrente do Prêmio Diogo Mainardi de Redação

10 Novembro , 2009 · 2 Comentários

O texto a seguir foi enviado por uma leitora que preferiu ser chamada pelo seu pseudônimo, “Anta”:

A anta é um herbívoro de hábitos solitários, que chega a pesar 300 kg. Antas costumam enviar textos para concorrer ao Prêmio Diogo Mainardi.

Ao abrir uma conta no Bradesco uma atendente perguntou se a anta não queria entrar num programa de capitalização. Disse-lhe que era como uma poupança. A anta investiu R$ 10 mensais para testar o sistema.

Após um ano foi sacar o dinheiro. Como guardou R$ 10 durante 12 meses devia sacar R$ 120. Mas não. Taxas e cobranças fizeram R$ 40 desaparecer, ou melhor, ajudarem o Bradesco a se tornar um dos maiores bancos da América Latina, mesmo pagando os menores salários do mercado.

Culpa do imperialismo ianque!

***

Aparentemente a Anta desconhece a mecânica dos títulos de capitalização. Como nosso mestre Mainardi já foi ele mesmo anti-banqueiro, os jurados do concurso decidiram acatar este texto, exceção feita ao Pedro de Lara. Hoje em dia, esclarecemos, o Mainardi já não odeia bancos, gostando até de se relacionar intimamente com banqueiros, como o Daniel Dantas pode explicar melhor para vocês. Não procuremos odiá-lo por isso – a coerência está fora de mora.

O Jacaré de Madeira aguarda ansiosamente para saber quem será seu novo dono.

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Mainardi quebra vitrine em SP

6 Novembro , 2009 · Deixe um comentário

Seguindo as comemorações do Prêmio Diogo Mainardi de Redação, mostraremos uma minibiografia deste grande colunista, escrita por um amigo do próprio na Veja, então não nos cabe duvidar de nada escrito aqui. Ao contrário, o testemunho de um lifelong cúmplice é sempre verdadeiro.

http://veja.abril.com.br/171007/p_128.shtml

A parte mais bacana é essa, sobre o episódio onde ele quebrou uma vitrine:

“Em 1979, Diogo Mainardi estava no centro de São Paulo, quando foi colhido por um quebra-quebra promovido pelo Sindicato dos Bancários. Tentou fugir, mas levou uma cacetada de um policial. Furioso, aderiu à turba. O fotógrafo Pedro Martinelli, pensando se tratar de um manifestante, o flagrou enquanto quebrava a vidraça de um banco.”

Ou seja: ele é inocente, apenas foi vítima das circunstâncias. O quebra-quebra foi promovido por outros, ele não tinha nada a ver. Mainardi não pôde fugir, pobre coitado. A cacetada do policial caracteriza uma injustiça com nosso Diogo, e como nos filmes, foi pretexto para sair por aí quebrando tudo. Mas a gente sabe que isso só é pretexto nos filmes.

 

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Características do texto à Mainardi

2 Novembro , 2009 · 3 Comentários

Algumas características que compõem a técnica Mainardi de redação e que servirão de pontos-de-contato entre os textos competidores e os textos Mainardianos, cuja aderência se faz necessária à competição:

- falácias lógicas;

- comparações casuais;

- raquitismo intelectual;

- macartismo exarcebado;

- latidos de cachorro;

- idéias fixas;

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Prêmio Diogo Mainardi de Redação

30 Outubro , 2009 · 6 Comentários

Devido à enorme repercussão do último artigo, o Emplastro Cubas vem através deste post instituir o Prêmio Diogo Mainardi de Redação. A criação deste tem o intuito duplo de homenagear o grande colunista Diogo Mainardi e incentivar a tarefa de criação e edição textuais entre os brasileiros. O vencedor do concurso receberá o Jacaré de Madeira, que não preciso mencionar, é a mais alta condecoração concedida por este órgão, e terá ampla divulgação de seu texto. As despesas de frete correrão por nossa conta.

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O Jacaré de Madeira em todo seu esplendor aguardando o felizardo primeiro colocado.

As regras são simples: vence o texto que em até 600 caracteres expressar melhor o estilo de redação e a lógica (!?) do grande colunista da revista Veja Diogo Mainardi. Aceitamos textos anônimos ou sob pseudônimos, e observamos o sigilo sempre que desejado. Os textos devem ser enviados para stonecopel@gmail.com até às 24:00 de 31 de Dezembro de 2009.

O Emplastro terá um texto inscrito também, mas na categoria hours concours - até porque criar um prêmio para se autoentregar é coisa do Luiz Henrique, que por enquanto não trabalha para nós.

Segue o nosso texto à Mainardi que abre a competição:

No Brasil, o sol nasce no Leste. Em Cuba também o sol nasce no Leste, que por sua vez é onde fica a União Soviética. Lá há comunistas. Os comunistas são assassinos. MATEM OS ASSASSINOS. O sol é único. É totalitário. Os EUA devem derrubá-lo. O Paulo Coelho disse que um copo meio vazio está meio cheio. Um universitário sob o sol fica vermelho. Logo, universitário é comunista. Eu deveria ser considerado o próprio Tolstoi. Que era russo. E na Rússia tem comunas. Eles estão por toda parte. Sei porque li na Veja. Estou cercado de idiotice e só eu estou certo. Se vou na padaria hoje? TALVEZ EU VÁ.

alea jacta est!

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O planeta que se dane

26 Outubro , 2009 · Deixe um comentário

Texto “O planeta que se dane” , retirado integralmente do site da revista Veja. 

sábado, 17 de outubro de 2009

“O aquecimento global nem existe. O pico do calor foi em 1998. De lá para cá, a Terra está esfriando. O que importa, para quem pedala socraticamente, é o tempo que está fazendo agora” O ciclismo tem algo em comum com o stalinismo. Quem melhor demonstrou isso foi o poeta chileno Pablo Neruda. Ele fez uma “Ode às bicicletas”. Além de fazer uma “Ode às bicicletas”, ele fez também uma “Ode a Stalin”. Na primeira poesia, Pablo Neruda comparou as bicicletas a um “esqueleto frio”. Na segunda poesia, ele comparou Stalin a “um gigante”. Cada pedalada poética de Pablo Neruda corresponde a um esqueleto frio no Gulag do gigante. Eu só ando de bicicleta. Se o ciclismo tem algo em comum com o stalinismo, eu devo ser considerado um Alexander Soljenitsin das duas rodas – um reacionário do pedal. O músico David Byrne, dos Talking Heads, também só anda de bicicleta. Mas, ao contrário de mim, ele é um militante do ciclismo – um doutrinador do ciclismo. Ele recomenda que as ruas sejam ocupadas unicamente por bicicletas e que os carros só possam trafegar em túneis. Ele desenhou bicicletários – em forma de guitarra elétrica e de cachorro – e projetou ciclovias para a prefeitura de Nova York. David Byrne acabou de publicar nos Estados Unidos Diários da Bicicleta, nos quais relata suas pedaladas em cidades como Londres, Buenos Aires, Detroit, Berlim, Manila e Istambul. Do selim de sua bicicleta, ele pontifica: “Eu sinto que o mundo pode ser mais onírico, metafórico e poético do que atualmente acreditamos”. Quem acredita que o mundo pode ser mais onírico, metafórico e poético costuma acreditar igualmente que o melhor lugar para enfiar os inimigos é um Gulag – como Pablo Neruda. Ou um túnel – como David Byrne. Na China, todos possuíam uma bicicleta rigorosamente preta da marca “Pombo Voador”. Elas se transformaram num símbolo do totalitarismo igualitário maoista. Agora as bicicletas mudaram. Elas passaram a simbolizar o ideal salvacionista do ambientalismo. Dito de outra maneira: a promessa de um mundo mais onírico, metafórico e poético. Como um reacionário do pedal, minha bicicleta representa apenas isso – uma bicicleta. Ela é um meio de transporte utilitário. Tem uma cadeirinha na frente e uma atrás. Na frente eu conduzo um filho, atrás eu conduzo o outro filho. Se Karl Popper classificasse bicicletas como classifica a filosofia política, minha bicicleta representaria a sociedade aberta, individualista, indo do ponto A ao ponto B. Eu pedalo socraticamente. David Byrne pedala platonicamente. Nos últimos tempos, o aquecimento global foi o Gulag que aterrorizou os inimigos do ambientalismo. Ou andávamos de bicicleta, ou o planeta acabaria. O planeta que se dane, foi o que eu sempre pensei. Eu estava certo. O aquecimento global nem existe. O pico do calor foi em 1998. De lá para cá, a Terra está esfriando. E deve permanecer assim por mais duas décadas. O que importa, para quem pedala socraticamente, é o tempo que está fazendo agora. Sol? Dá para pegar os meninos na escola de bicicleta. Chuva? Eles que se danem.

Por Diogo Mainardi”

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Bom, não é preciso ser médico para diagnosticar o estado de confusão mental em que se encontra esse senhor. Um texto comum dele soa mais como um jantar em casa de família italiana, onde todos falam ao mesmo tempo e ninguém entende nada. Ele dialoga com tantas vozes em sua cabeça quantas são dadas a um esquizofrênico ter – e, rapaz, elas não chegam a um acordo. O sr. Mainardi dispara contra todos os lados, como se fosse o último bastião dos valores sociais, cercado por todos os lados de sujeira, mas sem conseguir acertar em nada. Mainardi nos parece o tipo de sujeito que tenta ganhar as discussões falando mais alto que o adversário. Imaginamos que ele escreva gesticulando e resmungando, como se a força da sua raiva pudesse ser transpassada no texto, mas, invariavelmente, a única impressão que nos passa é impotência.

 

 

O planeta que se dane

sábado, 17 de outubro de 2009 | 0:33

 

“O aquecimento global nem existe. O pico do calor foi em 1998. De lá para cá, a Terra está esfriando. O que importa, para quem pedala socraticamente, é o tempo que está fazendo agora”

O ciclismo tem algo em comum com o stalinismo. Quem melhor demonstrou isso foi o poeta chileno Pablo Neruda. Ele fez uma “Ode às bicicletas”. Além de fazer uma “Ode às bicicletas”, ele fez também uma “Ode a Stalin”. Na primeira poesia, Pablo Neruda comparou as bicicletas a um “esqueleto frio”. Na segunda poesia, ele comparou Stalin a “um gigante”. Cada pedalada poética de Pablo Neruda corresponde a um esqueleto frio no Gulag do gigante.

Eu só ando de bicicleta. Se o ciclismo tem algo em comum com o stalinismo, eu devo ser considerado um Alexander Soljenitsin das duas rodas – um reacionário do pedal. O músico David Byrne, dos Talking Heads, também só anda de bicicleta. Mas, ao contrário de mim, ele é um militante do ciclismo – um doutrinador do ciclismo. Ele recomenda que as ruas sejam ocupadas unicamente por bicicletas e que os carros só possam trafegar em túneis. Ele desenhou bicicletários – em forma de guitarra elétrica e de cachorro – e projetou ciclovias para a prefeitura de Nova York.

David Byrne acabou de publicar nos Estados Unidos Diários da Bicicleta, nos quais relata suas pedaladas em cidades como Londres, Buenos Aires, Detroit, Berlim, Manila e Istambul. Do selim de sua bicicleta, ele pontifica: “Eu sinto que o mundo pode ser mais onírico, metafórico e poético do que atualmente acreditamos”. Quem acredita que o mundo pode ser mais onírico, metafórico e poético costuma acreditar igualmente que o melhor lugar para enfiar os inimigos é um Gulag – como Pablo Neruda. Ou um túnel – como David Byrne.

Na China, todos possuíam uma bicicleta rigorosamente preta da marca “Pombo Voador”. Elas se transformaram num símbolo do totalitarismo igualitário maoista. Agora as bicicletas mudaram. Elas passaram a simbolizar o ideal salvacionista do ambientalismo. Dito de outra maneira: a promessa de um mundo mais onírico, metafórico e poético. Como um reacionário do pedal, minha bicicleta representa apenas isso – uma bicicleta. Ela é um meio de transporte utilitário. Tem uma cadeirinha na frente e uma atrás. Na frente eu conduzo um filho, atrás eu conduzo o outro filho. Se Karl Popper classificasse bicicletas como classifica a filosofia política, minha bicicleta representaria a sociedade aberta, individualista, indo do ponto A ao ponto B. Eu pedalo socraticamente. David Byrne pedala platonicamente.

Nos últimos tempos, o aquecimento global foi o Gulag que aterrorizou os inimigos do ambientalismo. Ou andávamos de bicicleta, ou o planeta acabaria. O planeta que se dane, foi o que eu sempre pensei. Eu estava certo. O aquecimento global nem existe. O pico do calor foi em 1998. De lá para cá, a Terra está esfriando. E deve permanecer assim por mais duas décadas. O que importa, para quem pedala socraticamente, é o tempo que está fazendo agora. Sol? Dá para pegar os meninos na escola de bicicleta. Chuva? Eles que se danem.

Por Diogo Mainardi

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Mundo Animal: Foca recebe prêmio em Santa Catarina

21 Outubro , 2009 · Deixe um comentário

“O governador Luiz Henrique da Silveira instituiu este ano o Prêmio Beto Carrero de Excelência em Turismo. A escolha é feita pelo Conselho Estadual de Turismo, cujos membros são nomeados pelo governador Luiz Henrique. O resultado oficial foi anunciado esta tarde. Escolhido na categoria Personalidade? O governador Luiz Henrique.”

fonte aqui.

O Emplastro Cubas, após acusar o recebimento de uma mala preta com 100 mil motivos para amansar os redatores desse blog de circulação mundial, gostaria de deixar registrada a mudança repentina e inesperada da nossa linha editorial. Já estamos avisando de antemão para não acontecer o que aconteceu com outros veículos midiáticos quando comprados pela RBS, que, mudando de lado da noite pro dia, deixaram o público confuso. Eu sei que antigamente vociferávamos contra o governo, mas isso foi na época em que não éramos maduros nem tínhamos competência para julgar um governo tão nobre e esforçado. Isso não significa que deixaremos de cumprir nosso papel fiscalizador. Estamos ao lado da população e da democracia.

Os funcionários que permaneceram ao lado da verdade, opositores de Luiz Foca, foram demitidos de pronto. Aparentemente, viram algum heroísmo na coerência. Colocamos na conta da crise financeira. Ficaram os que tinham muitos bônus natalinos e nenhuma vergonha.

Gostaríamos de agradecer nosso grande governador por trazer mais esse prêmio ao Estado. Uma autocoroação é louvável, um gesto magnânimo consigo mesmo, outorgada antes somente por gênios políticos, como Bonaparte que se autocoroou imperador da França, ou Vargas que se autogolpeou em 1937. É demonstração inegável de que não devemos ser generosos somente com os outros, de que temos que nos valorizar, ao invés de declarar elogios vazios a outrem. Sobretudo, é um ato de autoafirmação.

Ao não ter medo de agir quando o o bom senso e a moralidade são contrários, o governador defende a autoestima do barrigaverde. Isso é nobre – Luiz Foca XV é um governante com sangue azul.

post republicado atendendo pedidos

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O colecionador de relíquias

12 Outubro , 2009 · Deixe um comentário

Na recepção do hotel havia um imenso marreco de algodão, de uns 1,80m de altura, trajado, alegadamente, com roupas típicas alemãs, embora eu nunca as tenha visto na Alemanha. Quando o vi, entendi imediatamente o conceito de kitsch, que até esse preciso instante ainda não havia entranhado adequadamente em meu cérebro. Prendeu-me a atenção por alguns momentos, o marreco de algodão, com seu olhar injetado de só quem tem bolas de vidro no lugar dos olhos pode ter. A concierge perguntou-me, interrompendo minha divagação esteta:

“Pois não senhor”?

Por algum motivo, respondi-lhe:

“Preciso tê-lo”, falei decidido, apontando com o indicador para o marreco.

“Como senhor?”, ela perguntou, não entendendo.

“O marreco. Preciso tê-lo. É um marreco Fauberg. Um colecionador rival comprou um exemplar inferior por 40 mil euros num leilão de antiguidades”.

Ela pensou um pouco e respondeu:

“Desculpe senhor, é do hotel. Não posso vendê-lo”.

Coloquei então minha melhor personificação inglês-vitoriano:

“Nesse caso, exijo falar com o proprietário do hotel. É uma peça de valor artístico-histórico que não pode ser mantida de qualquer forma, num lobby de hotel. Representa a própria conquista da técnica pelo Homem, tamanho é o engenho adotado na construção deste marreco, como, aliás, de todos os outros Faubergs. Suponho que este seja o exemplar encomendado pela imperatriz Maria Theresa, da Áustria, quando de sua subida ao trono. Infelizmente estava perdido desde que fora furtado do palácio real… até hoje!”

Ela pediu um minuto e saiu para consultar alguém ou chamar a polícia. Não esperei para saber. Peguei o marreco e fui.

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Há Vagas

4 Outubro , 2009 · Deixe um comentário

1. Do Edital

O Emplastro Cubas vem através deste edital selecionar candidatos para provimento de cargo de office-boy, em vacância desde o falecimento do último, na fila do INSS deste começo de mês, que estava especial.

2. Das vagas

Abre-se uma vaga, destinada a idoso, deficiente visual, gestante ou lactante, tendo esta que vir, necessariamente, com uma criança de colo anexada para fins de aderência à lei de acessibilidade. Para os fins deste edital, ambas serão consideradas uma só, bem como o cego e o respectivo labrador amarelo.

3. Dos Requisitos

O candidato deverá estar em plenas faculdades mentais e físicas; ser alfabetizado em língua portuguesa, nova ortografia desejada, se não for pedir demais; deverá ainda ter o polegar direito, salvo capacitado para assinar o próprio nome, ou, ulteriormente, “X”. O candidato deverá ser apto para exercer todos os atos do exercício da cidadania; ser hábil para prosecução de procuração pública; capacidade de esperar, em pé ou sentado; resistência a assédio moral e surras em geral; capacidade de cicatrização rápida e desconhecimento da legislação trabalhista desejados; veículo próprio; se cego, ter um labrador, necessariamente amarelo, para fins de compleição de estereótipo; paciência e perseverança; ser educado e simpático com interlocutores em geral, pois está representando este glorioso órgão midiático; gostar de desafios; ser profissional dinâmico e comunicativo; saber contar o troco; pós-graduação em mecânica de filas; saber montar uma máquina de senhas em 60 segundos, depois desmontá-la novamente em igual período; fazer os 110m rasos com barreiras em 10 segundos; curso de identificação criminal; biologia molecular avançada, física newtoniana básica; Ibrahimovic – um gênio da bola?; controle de constitucionalidade; compreensão da crítica da razão pura, de Emmanuel Kant e o Tratado Lógico-Filosófico de, bom, o candidato interessado vai saber de quem é; mandarim fluente; se lactante ou gestante, ser mãe solteira, vulnerável e propensa a sofrer assédio sexual intra-empresa e fechar o bico; e isso me lembra, saber guardar segredo; trabalhar em equipe; pró-atividade; e o mais difícil, aguentar uma música do Roberto Carlos por mais de 1 minuto sem ter espasmos epiléticos.

4. Das Atribuições do Cargo

O candidato selecionado será responsável pela parte de autenticações bancárias, envio e busca de malotes no correio e interface com repartições públicas em geral.

5. Dos Provimentos

O empregado receberá o piso da categoria, mais adicional de autenticação ou vale -coxinha, a combinar. Em caso de lactante com criança de colo, ambas receberão somente um provimento, referente à mãe. A criança folgada que procure seus direitos, o mesmo valendo para o labrador amarelo. Bicho mau caráter, onde já se viu se voltar contra o empregador. Cadê a lealdade?

6. Da Prova

A prova de maior número de títulos e roupas mais curtas será arbitrária e ocorrerá às 14:00 horas (horário de Brasília) do dia 30 de Outubro, nas torres do Emplastro Cubas, situada à Rua da Consolacion, La Paz, Bolivia.

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